A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), rejeitou nesta terça-feira (7) a estratégia de classificar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), como “inimigo dos trabalhadores” se ele não enviar à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a proposta que acaba com a escala 6×1. A fala marca uma tentativa do governo de baixar a temperatura no Senado depois do ultimato feito pelo líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC).
Uczai afirmou que Alcolumbre seria tratado como inimigo dos trabalhadores caso a PEC não fosse encaminhada à CCJ até a próxima semana. Teresa, recém-chegada à liderança do governo na Casa, desautorizou o tom de confronto e defendeu pressão política sem rompimento com o comando do Senado.
“Eu estive na reunião com as centrais [sindicais]. Eu tive uma reunião ontem com uma das mais poderosas confederações. Eu perguntei: vocês vão pintar palavra de ordem ‘Senado inimigo do povo’? ‘Não, a gente quer outro processo de pressão’”, disse a senadora. A mensagem é direta: o governo quer manter a PEC viva, mas não pretende transformar Alcolumbre em alvo público neste momento.
Alcolumbre reagiu em nota da Presidência do Senado e endureceu contra o ultimato petista. “Esse tipo de ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado”, afirmou. O senador também disse que a definição da pauta e da tramitação das matérias é prerrogativa constitucional da Presidência da Casa e “não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais”.
A disputa gira em torno da PEC do fim da escala 6×1, uma das principais bandeiras de parlamentares do PT e de centrais sindicais. A proposta aguarda despacho de Alcolumbre para começar a tramitar no Senado. O envio à CCJ é o primeiro passo: depois disso, o texto precisa de relator, parecer na comissão e votação em plenário.
Governo tenta conter crise no Senado
A divergência expõe duas linhas dentro do campo governista. Na Câmara, parte do PT aposta na pressão direta para forçar o avanço da proposta. No Senado, Teresa Leitão tenta reconstruir canais com Alcolumbre e evitar que a pauta trabalhista vire uma queda de braço institucional antes mesmo de chegar à CCJ.
A senadora assumiu a liderança do governo no Senado em 25 de junho, no lugar de Jaques Wagner (PT-BA), em meio à pressão por mais articulação com a cúpula da Casa. Cinco dias depois, em 30 de junho, ela se reuniu com Alcolumbre, mas a conversa terminou sem prazo para a tramitação da PEC 6×1.
A insatisfação com a paralisia já vinha crescendo desde junho. Em 15 de junho, a Câmara avançou com um projeto de lei complementar relacionado à escala 6×1, movimento visto por aliados do governo como forma de aumentar o custo político da demora no Senado. Ainda assim, Alcolumbre manteve sob seu controle o ritmo da proposta constitucional.
PEC depende de despacho de Alcolumbre
Na prática, a PEC não anda enquanto o presidente do Senado não a despachar para a CCJ. Só depois dessa etapa a comissão poderá escolher um relator e abrir a discussão formal sobre o texto. A pressão petista mira exatamente esse ato inicial, que destrava a tramitação e coloca a proposta no calendário político da Casa.
O gesto de Teresa Leitão não retira a cobrança sobre Alcolumbre, mas muda o método. Em vez de aderir ao rótulo de “inimigo dos trabalhadores”, a líder do governo tenta preservar margem de negociação com o presidente do Senado. O próximo movimento depende do despacho da PEC à CCJ; sem ele, a proposta continua parada e a pressão sindical e parlamentar tende a crescer sobre a Mesa do Senado.











