A Âmbar Energia não enviou representante à audiência pública realizada na Câmara dos Deputados para discutir os apagões no Amazonas, estado que convive com interrupções recorrentes no fornecimento, tarifas elevadas e dificuldades logísticas na distribuição de energia. A ausência da concessionária virou o centro do debate entre parlamentares, que cobraram explicações sobre a qualidade do serviço prestado à população.
A empresa assumiu a distribuição de energia no estado em 17 de abril, no lugar da Amazonas Energia, em uma concessão marcada por crise operacional, alta inadimplência e desafios de atendimento em áreas de difícil acesso. Para deputados que participaram da sessão, a falta de comparecimento agravou a pressão por transparência justamente no primeiro grande teste público da nova gestão diante do Congresso.
Horas depois do debate, a Âmbar anunciou um plano de cerca de R$ 2,3 bilhões em investimentos para a rede elétrica do Amazonas. A previsão apresentada pela companhia envolve ações de modernização e expansão entre 2026 e 2028, mas ainda não resolve a principal cobrança feita na audiência: quando os consumidores perceberão redução efetiva nas falhas de fornecimento.
Cobrança mira serviço recém-assumido pela concessionária
Na audiência, parlamentares trataram a crise energética como um problema que ultrapassa a troca de controle da concessão. O Amazonas tem uma rede pressionada por longas distâncias, dependência de transporte por rios, comunidades isoladas e custos operacionais superiores aos de estados com malha urbana mais concentrada.
Esse cenário torna mais difícil a manutenção de linhas, subestações e equipamentos, mas não elimina a obrigação de garantir regularidade no serviço. A cobrança na Câmara recaiu sobre a capacidade da nova concessionária de apresentar um plano de resposta para interrupções, manutenção preventiva e atendimento ao consumidor.
Representantes do poder público acompanharam a discussão, que também envolveu a atuação da Aneel, responsável por regular e fiscalizar a distribuição de energia. A agência terá papel central na verificação das metas de qualidade e na cobrança do cumprimento dos investimentos anunciados pela empresa.
Investimento bilionário aumenta pressão por prazos
O anúncio de investimento deu à Âmbar uma resposta institucional à crise, mas também elevou a exigência por cronograma. Sem metas públicas detalhadas por município, prazo de obras e indicadores de melhoria, o valor bilionário ainda não se traduz em garantia imediata de estabilidade para os consumidores.
A concessão atende um estado com cerca de 4 milhões de habitantes e tem impacto direto sobre residências, comércio, indústria e serviços essenciais. Em regiões onde a logística depende de balsas e aviões, cada falha na distribuição tende a demorar mais para ser corrigida e a produzir efeitos mais amplos sobre a economia local.
Deputados indicaram que a concessionária deve voltar a ser chamada para prestar esclarecimentos. O próximo passo prático é a Câmara cobrar da Âmbar a apresentação de prazos, metas de qualidade e medidas de curto prazo para reduzir as interrupções, enquanto a Aneel acompanha a execução dos compromissos assumidos na concessão.










