quinta-feira, julho 2
MERCADO
IBOVESPA 172.788 pts▲ 0,44%DOW JONES 52.900 pts▲ 1,11%NASDAQ 25.833 pts▼ 1,45%S&P 500 7.483 pts▼ 0,21%DÓLAR R$ 5,23▲ 0,03%EURO R$ 5,98▲ 0,60%BITCOIN R$ 321.043▲ 1,71%ETHEREUM R$ 8.851▲ 4,37%SELIC 14,25%CDI 14,15%IPCA 12M 4,72%
Publicidade
Economia

Antaq enfrenta Casa Civil e defende leilão em duas etapas para o Tecon Santos 10

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Próximos passos e indefinição do cronograma O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, já declarou que o leilão ocorrerá após as eleições de outubro de 2026, sem precisar data.
  • A Antaq alerta que a mudança no modelo aprovado pode obrigar o Tribunal de Contas da União (TCU) a reanalisar o edital, o que atrasaria ainda mais o leilão, já adiado para o segundo semestre de 2026.
  • O embate entre Antaq e Casa Civil Em fevereiro de 2025, a Antaq abriu audiência pública para discutir o modelo de licitação do STS10.
  • O que está em jogo no maior porto do país O Porto de Santos responde por cerca de 30% da corrente de comércio brasileira.
  • O Tecon Santos 10 foi projetado para operar 1,8 milhão de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) por ano, somando-se aos terminais existentes.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) defende manter o leilão do Tecon Santos 10 em duas etapas e cobra uma definição do governo federal sobre as regras do certame. O terminal, previsto para ampliar a operação de contêineres no Porto de Santos, virou ponto de atrito entre a agência reguladora e a Casa Civil, que pediu a retirada de restrições à participação de armadores.

Publicidade

A posição da Antaq foi formalizada em manifestação técnica encaminhada ao governo. Para a agência, alterar de forma relevante o desenho já discutido para a licitação pode comprometer a segurança jurídica do processo e exigir nova análise do Tribunal de Contas da União (TCU). Na prática, isso aumenta o risco de atraso em um leilão que já ficou para 2026.

O Tecon Santos 10 é tratado como um dos projetos mais importantes da infraestrutura portuária brasileira. A estimativa de investimento é de R$ 5,6 bilhões, e a área é vista como decisiva para aliviar a pressão sobre a movimentação de contêineres no maior porto do país. Santos concentra parcela relevante do comércio exterior brasileiro, o que faz da disputa regulatória um tema com impacto direto sobre exportadores, importadores e operadores logísticos.

Publicidade

Por que a regra para armadores virou o centro da disputa

O ponto mais sensível é a participação de empresas de navegação, conhecidas como armadores, no leilão. A Antaq já havia aprovado um modelo com restrições a esses grupos, em linha com a posição defendida pelo Ministério de Portos e Aeroportos e submetida ao controle externo. A Casa Civil, por sua vez, quer retirar essas barreiras sob o argumento de ampliar a concorrência.

A discussão opõe duas leituras sobre o mesmo problema. De um lado, a agência reguladora sustenta que limitar a presença de armadores reduz o risco de concentração vertical, quando uma empresa que transporta carga também passa a controlar infraestrutura essencial no porto. De outro, defensores de uma licitação mais aberta argumentam que menos restrições podem atrair mais interessados e elevar a disputa pelo ativo.

Publicidade

O impasse não é apenas técnico. Se o governo mudar o edital depois das etapas já percorridas, a Antaq avalia que o processo pode precisar voltar ao TCU. Esse movimento consumiria tempo e poderia empurrar novamente o calendário, justamente em um projeto que o setor acompanha como resposta aos gargalos de capacidade em Santos.

Modelo em duas etapas busca reduzir contestação jurídica

Ao defender o leilão em duas etapas, a Antaq tenta preservar um desenho considerado mais robusto para selecionar o futuro operador. A lógica é separar a avaliação das condições de participação e de qualificação dos concorrentes da disputa econômica propriamente dita, o que tende a diminuir questionamentos posteriores sobre habilitação, poder de mercado e cumprimento das exigências do edital.

Essa arquitetura tem peso especial porque o Tecon Santos 10 não é um arrendamento portuário comum. O terminal deve reorganizar parte da disputa por cargas conteinerizadas em Santos e influenciar contratos, rotas, investimentos privados e decisões de longo prazo de empresas que dependem do porto para escoar ou receber mercadorias.

Quanto mais indefinidas ficam as regras, maior é a chance de o leilão atrair contestações antes mesmo de ocorrer. Para investidores, a dúvida central é saber se o governo vai preservar o modelo já encaminhado ou reabrir a discussão sobre quem pode disputar o ativo e em quais condições.

Atraso pressiona a logística em Santos

O cronograma já perdeu velocidade. A previsão mais recente é que o leilão ocorra depois das eleições de 2026. Sem uma solução rápida para a divergência entre Antaq e Casa Civil, o risco é que o certame chegue ao próximo ano ainda cercado por dúvidas regulatórias.

Enquanto o novo terminal não sai do papel, operadores instalados em Santos ampliam estruturas existentes para atender à demanda. A Santos Brasil contratou obras de R$ 150 milhões para expansão de cais, um sinal de que o mercado trabalha com um horizonte longo até a entrada de uma nova capacidade relevante no complexo portuário.

A decisão agora está no centro do governo federal. Se a Casa Civil insistir em retirar as restrições, o edital pode voltar ao TCU antes do leilão. Se o modelo defendido pela Antaq prevalecer, o projeto mantém uma rota regulatória mais previsível, mas ainda depende de calendário formal para sair em 2026.


Publicidade
Publicidade