O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, deram aval político para destravar negociações entre a Petrobras e a estatal boliviana YPFB na área de gás natural. A aproximação ocorreu em encontro bilateral nesta terça-feira (30), em agenda ligada à Cúpula do Mercosul, e abre caminho para uma nova rodada de conversas técnicas no Rio de Janeiro.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, deve receber uma comitiva ministerial boliviana para tratar da retomada de parcerias em exploração e fornecimento de gás. A data da reunião ainda não foi informada, mas o movimento recoloca no centro da pauta uma relação estratégica para o abastecimento brasileiro.
A Bolívia é uma fornecedora histórica de gás ao Brasil. O país importa cerca de 15 milhões de metros cúbicos por dia do mercado boliviano, volume próximo de 10% do consumo nacional. Por isso, qualquer mudança nos contratos com a YPFB interessa diretamente à indústria, às térmicas, ao setor de fertilizantes e às distribuidoras de gás canalizado.
Retomada tenta destravar relação paralisada desde 2023
As conversas entre Petrobras e YPFB vinham travadas desde 2023, em meio a disputas contratuais e mudanças na política energética boliviana. A entrada dos presidentes na articulação sinaliza uma tentativa de reconstruir a relação em nível mais alto, antes de avançar para termos comerciais.
Na prática, a negociação precisa resolver pontos sensíveis: volume de gás, preço, prazo de fornecimento, condições para exploração de campos bolivianos e eventuais investimentos associados. Esses elementos definirão se a aproximação ficará restrita a um gesto diplomático ou se resultará em novos contratos para a Petrobras.
Gás boliviano pesa na segurança energética do Brasil
O gás natural ocupa papel relevante na segurança energética porque abastece indústrias intensivas em energia, pode acionar termelétricas em períodos de menor geração hidrelétrica e serve de insumo para cadeias como a química e a de fertilizantes. Um acordo com a Bolívia, portanto, pode afetar custos de produção e planejamento de abastecimento, embora o impacto dependa dos termos comerciais.
Para a Petrobras, a retomada também tem dimensão estratégica. A companhia busca equilibrar segurança de suprimento, competitividade do gás e presença regional em um mercado que mudou nos últimos anos com a ampliação da oferta de gás natural liquefeito e a abertura gradual do setor no Brasil.
O próximo passo é a reunião da comitiva boliviana com Magda Chambriard no Rio. É desse encontro que devem sair a pauta técnica e o desenho inicial de um eventual acordo entre Petrobras e YPFB, incluindo se a prioridade será ampliar fornecimento, renegociar contratos ou retomar investimentos em exploração na Bolívia.









