O Banco de la República, banco central da Colômbia, elevou nesta terça-feira (30) a taxa básica de juros de 11,25% para 12% ao ano. O aumento de 0,75 ponto percentual mantém o ciclo de aperto monetário no país em meio à resistência da inflação, que segue acima da meta perseguida pela autoridade monetária.
A decisão foi tomada por maioria no comitê de política monetária. Quatro dos sete integrantes votaram pela alta de 0,75 ponto, enquanto dois defenderam um ajuste menor e um optou por uma elevação mais moderada. A divisão expõe o dilema do Banrep: conter a persistência dos preços sem impor uma trava excessiva à atividade econômica.
Em maio, a inflação anual colombiana chegou a 5,8%, acima do centro da meta de longo prazo, de 3% ao ano, com margem de tolerância de um ponto percentual para cima ou para baixo. O núcleo da inflação, que exclui itens mais voláteis, como alimentos e energia, avançou a 6%, sinal de que a pressão de preços não está concentrada apenas em choques pontuais.
Juro sobe pela terceira vez no ano
Com o movimento de junho, a taxa básica colombiana acumula alta de 2,75 pontos percentuais em 2026. O banco central já havia elevado os juros em janeiro e março, fez uma pausa em abril e voltou a apertar a política monetária agora, diante da inflação ainda distante da meta.
Juros mais altos tendem a encarecer o crédito, reduzir o consumo e moderar investimentos, mecanismo usado pelos bancos centrais para esfriar a demanda e conter reajustes de preços. O custo, porém, aparece na outra ponta: empresas e famílias passam a financiar menos, e a economia pode perder tração se o aperto se prolongar.
O movimento ocorre no início do governo de Javier Espriella, que tomou posse em 23 de junho. A nova administração assume com inflação elevada, juros de dois dígitos e pressão para preservar crescimento em um ambiente fiscal e político mais sensível.
Banrep evita antecipar o rumo da próxima decisão
O banco central não apresentou uma orientação explícita sobre os próximos passos da política monetária. A composição dos votos, no entanto, sugere que parte do comitê já vê espaço para calibrar o ritmo das altas, caso os indicadores de inflação mostrem alívio nas próximas semanas.
A próxima decisão do Banrep está prevista para o fim de julho. Até lá, os novos dados de inflação serão decisivos para indicar se o banco central mantém o aperto no mesmo ritmo ou reduz a intensidade das altas.











