A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vai investir R$ 60 milhões na criação de um Centro de Competência em Hidrogênio, iniciativa voltada a ampliar a pesquisa aplicada, a inovação industrial e a formação de profissionais em uma área considerada estratégica para a transição energética.
Os recursos virão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). A instituição foi selecionada pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) para liderar o centro, que deve aproximar universidade, setor produtivo e governo em projetos ligados à cadeia do hidrogênio.
O hidrogênio ganhou espaço na agenda energética por poder substituir combustíveis fósseis em segmentos de difícil descarbonização, como indústria pesada, fertilizantes, transporte de carga e produção de aço. No caso brasileiro, o interesse é reforçado pela matriz elétrica com forte presença de fontes renováveis, condição que pode reduzir emissões associadas à produção do insumo.
Centro mira pesquisa aplicada e parceria com a indústria
A criação de um centro de competência indica uma tentativa de tirar a pesquisa do campo exclusivamente acadêmico e conectá-la a demandas industriais. Embrapii e FNDCT costumam financiar projetos com foco em inovação, protótipos, processos produtivos e formação técnica especializada, áreas consideradas decisivas para transformar pesquisa científica em produto, tecnologia ou serviço.
Na prática, a iniciativa pode fortalecer linhas de estudo sobre produção, armazenamento, transporte e uso do hidrogênio, além de abrir caminho para parcerias com empresas interessadas em reduzir emissões. O impacto econômico, porém, dependerá da capacidade de atrair projetos industriais e de definir uma estrutura operacional capaz de integrar laboratórios, pesquisadores e agentes privados.
A UFRJ ainda não informou o cronograma de implantação nem detalhou a localização, a estrutura física e a divisão do orçamento entre equipamentos, bolsas, infraestrutura e projetos de pesquisa. Também não divulgou uma lista de empresas parceiras já vinculadas ao centro.
Com o anúncio, a universidade passa a disputar espaço em uma corrida global por tecnologias de baixo carbono. O próximo passo prático é a apresentação do desenho de implantação do centro, etapa que vai mostrar quando os recursos começarão a chegar aos laboratórios e quais projetos terão prioridade.









