terça-feira, junho 30
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Economia

Pesquisa diz que 66% aceitam ceder dados para anúncios, mas método limita leitura

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • 66% dos consumidores brasileiros aceitam compartilhar dados anônimos em troca de anúncios mais relevantes, segundo pesquisa da Siprocal em parceria com a Opinion Box divulgada nesta terça-feira (30).
  • A matéria do Valor Econômico que divulgou os números não informa quem encomendou ou financiou o estudo.
  • As redes sociais foram o canal mais lembrado para impacto publicitário, com 68% das menções.
  • O levantamento ouviu 1.056 pessoas de todas as regiões e classes sociais.
  • Em junho, o PIRANOT mostrou que 828 chaves Pix foram vazadas em um sistema policial no Maranhão , reforçando a necessidade de transparência no uso de dados pessoais.

Uma pesquisa da Siprocal em parceria com a Opinion Box afirma que 66% dos consumidores brasileiros aceitariam compartilhar dados anônimos em troca de anúncios mais relevantes. O estudo, divulgado nesta terça-feira (30), ouviu 1.056 pessoas de todas as regiões e classes sociais e mira um ponto sensível da publicidade digital: até onde vai a disposição do usuário de trocar informação por personalização.

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Os resultados também indicam que 77% dos entrevistados dizem ter a decisão de compra influenciada por anúncios personalizados por localização. Outros 57% avaliam positivamente notificações push baseadas em geolocalização. Entre os canais citados, as redes sociais aparecem como o ambiente de maior impacto publicitário, com 68% das menções.

Os números reforçam o interesse do mercado em campanhas baseadas em localização e comportamento, mas a leitura exige contexto. A divulgação informa o tamanho da amostra, porém não apresenta margem de erro, período de coleta nem a formulação exata da pergunta sobre compartilhamento e anonimização dos dados.

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Anonimização é o ponto central para o consumidor

A diferença entre dado anônimo e dado pessoal é decisiva. Pela Lei Geral de Proteção de Dados, dados anonimizados ficam fora do escopo da lei quando não permitem identificar o titular por meios técnicos razoáveis. Já informações que possam ser associadas a uma pessoa, direta ou indiretamente, continuam protegidas e exigem base legal, finalidade determinada e transparência.

É nessa fronteira que a pesquisa ganha relevância. Para o consumidor comum, “dados anônimos” pode significar apenas a retirada do nome, enquanto, na prática, informações de localização, hábitos de navegação e padrões de compra podem permitir reidentificação quando cruzadas com outras bases. Sem clareza sobre como o conceito foi apresentado aos entrevistados, o percentual de 66% mede uma aceitação declarada, não uma autorização automática para uso comercial de dados.

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Personalização cresce sob pressão regulatória

A publicidade por geolocalização é uma das áreas mais disputadas do marketing digital porque permite acionar consumidores perto de lojas, eventos ou regiões de interesse. Também é uma das mais delicadas: a localização revela rotinas, deslocamentos e, em alguns casos, visitas a locais sensíveis, como hospitais, templos religiosos, sindicatos ou endereços residenciais.

A LGPD não proíbe anúncios personalizados, mas exige que empresas expliquem quais dados coletam, para qual finalidade e por quanto tempo eles serão usados. Quando a base legal escolhida é o consentimento, ele precisa ser livre, informado e específico. Autorizações genéricas, embutidas em textos longos ou pouco claros, tendem a aumentar o risco jurídico para plataformas, anunciantes e intermediários de tecnologia.

A Siprocal atua no mercado de publicidade digital, e a Opinion Box é especializada em pesquisas de mercado. Nesse contexto, o estudo sinaliza uma oportunidade comercial relevante, mas não encerra a discussão sobre consentimento. Para empresas que pretendem usar localização e dados comportamentais em campanhas, o próximo passo prático é demonstrar transparência: explicar a coleta, permitir escolha real ao usuário e separar personalização legítima de rastreamento opaco.

Na prática, a pesquisa mostra que há abertura do consumidor para anúncios mais úteis, desde que a promessa de anonimato seja compreensível e verificável. O desafio para o setor é transformar essa disposição declarada em práticas compatíveis com a LGPD — antes que a falta de clareza vire risco regulatório e desgaste de confiança.


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