Uma tatuagem no braço com o sobrenome de família foi a pista que faltava para uma auxiliar de laboratório de Franca (SP) descobrir que o namorado era um golpista com pelo menos 20 vítimas em Minas Gerais e na Paraíba. Ela denunciou Thiago Cristiano Boch à Polícia Civil no dia 19 de junho, após perder R$ 15 mil em um relacionamento que revelou ser uma fraude.
A vítima, de 36 anos, conheceu Boch e estabeleceu um vínculo afetivo sem saber o sobrenome dele — tinha apenas o primeiro nome. Durante o relacionamento, notou a tatuagem no braço do companheiro com o nome de sua família. Foi o detalhe que acendeu a desconfiança.
“Peguei e joguei Thiago Boch no Google e já vieram as reportagens de que ele tinha mais de 20 casos de estelionatário contra mulheres em Minas Gerais e na Paraíba”, contou a vítima. A descoberta confirmou que havia caído no chamado “golpe do amor” — crime em que o estelionatário constrói um relacionamento afetivo falso para obter dinheiro da vítima.
A desconfiança começou após uma viagem ao interior do Paraná, em 12 de junho, quando a demora de Boch em manter contato gerou alerta na companheira. Ao retornar e pesquisar o sobrenome tatuado, a auxiliar de laboratório encontrou reportagens sobre o histórico criminal do namorado em outros estados e decidiu registrar o boletim de ocorrência.
Como opera o golpe do amor
O golpe do amor segue um padrão conhecido pelas autoridades: o criminoso constrói vínculo afetivo — frequentemente por aplicativos — e, após ganhar a confiança da vítima, passa a pedir dinheiro com justificativas variadas. O caso de Franca ilustra como um mesmo suspeito pode atuar em estados diferentes repetindo a mesma estratégia.
Boch tem pelo menos 20 ocorrências de estelionato registradas em Minas Gerais e na Paraíba, conforme informações divulgadas sobre o caso. A Polícia Civil de Franca agora investiga se há conexão entre os registros dos três estados e se os inquéritos serão unificados.
Investigação segue na fase policial
O boletim de ocorrência registrado em Franca formaliza a denúncia com valor, data e suspeito identificados. A investigação prossegue na fase policial, com coleta de depoimentos e anexação de documentos. Não há informação sobre mandado de prisão ou medidas cautelares expedidas até o momento.
A defesa de Boch não foi localizada para comentar o caso. A Polícia Civil de Franca continua apurando os fatos para encaminhar o inquérito ao Ministério Público, que decidirá sobre a denúncia formal.









