quinta-feira, junho 25
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Economia

Banco Central projeta inflação acima do teto em 2026 e mantém Selic em 14,25%

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • A projeção atual aponta IPCA de 4,8% em outubro e 5,2% em dezembro, com Selic em 14,25% ao ano.
  • O IPCA em 12 meses até maio ficou em 4,72%, ainda acima do teto da meta de inflação.
  • Se a inflação permanecer seis meses seguidos acima de 4,5%, o BC deverá enviar carta aberta ao Ministério da Fazenda.
  • O BC revisou PIB de 2026 para 2%, sinalizando ambiente ainda sem espaço para corte agressivo.
  • Choques de oferta continuam tratados com resposta gradual, o que reduz expectativa de queda rápida da Selic e mantém crédito caro.

O Banco Central projeta que a inflação permanecerá acima do teto da meta até o fim de 2026, com 79% de probabilidade de o IPCA superar 4,5%, segundo o Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (25). A autoridade mantém a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano e admite que pode precisar escrever nova carta aberta ao Ministério da Fazenda.

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Para dezembro, a projeção do IPCA em 12 meses chega a 5,2%, acima dos 4,8% projetados para outubro. O IPCA acumulado em 12 meses até maio já estava em 4,72%, fora do intervalo de tolerância. O relatório também elevou a estimativa de crescimento do PIB para 2% em 2026.

Choques de oferta e resposta gradual

O Banco Central reiterou que choques de oferta — como variações no preço de commodities — não exigem reação monetária imediata. A autoridade argumenta que as melhores práticas internacionais recomendam acomodar esses choques sem elevar juros, evitando destruir demanda e emprego. A posição sustenta a manutenção da Selic em 14,25%, sem alta adicional.

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Para 2027, a probabilidade de o IPCA ficar acima do teto cai para 28%, e para 2028, para 16%. Os números indicam que a autoridade espera uma convergência lenta da inflação ao intervalo da meta, sem prazo definido para o retorno.

Regime de meta contínua e gatilho da carta

Desde 2025, o Brasil opera com meta contínua de inflação de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Sob esse regime, o descumprimento não se configura por um desvio pontual, mas pela persistência: se a inflação permanecer seis meses consecutivos acima de 4,5%, o Banco Central é obrigado a enviar carta aberta justificando o caminho de convergência ao Ministério da Fazenda.

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O documento deve detalhar as causas do desvio e o plano de retorno da inflação à meta. A última ata do Copom foi considerada confusa pelo mercado — o ex-presidente da autarquia Henrique Meirelles criticou a falta de clareza sobre o prazo de convergência. O relatório de junho apresenta probabilidades, mas ainda não fixa data para o retorno ao intervalo de tolerância.

Impacto no crédito e no bolso

Com a Selic em 14,25% e a inflação projetada acima do teto por mais tempo, o custo do crédito permanece elevado para famílias e empresas. Prestações, contratos e financiamentos continuam atrelados a juros altos, limitando o fôlego do orçamento doméstico e o planejamento de investimentos no setor produtivo.

A combinação de inflação persistente e juros altos também pressiona a revisão de preços e contratos atrelados ao IPCA no setor público e privado. O PIB projetado em 2% sinaliza expansão moderada — suficiente para evitar recessão, mas sem aceleração que justifique cortes mais agressivos na taxa de juros no curto prazo.

O próximo marco institucional é a publicação da ata do Copom, que deve trazer a avaliação detalhada dos diretores sobre a trajetória de inflação. Se o IPCA confirmar seis meses consecutivos acima de 4,5%, a carta aberta deixa de ser hipótese e passa a integrar a rotina formal da autoridade monetária. Se houver convergência antes desse marco, o Banco Central terá espaço para retomar o ciclo de cortes da Selic com maior folga.


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