O Bitcoin voltou a ser negociado perto de US$ 66.800 nesta segunda-feira (15), em alta de 12,7% em relação ao fundo recente de US$ 59.300 registrado em 5 de junho. A recuperação ganhou força depois do anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã, que reduziu o prêmio de risco nos mercados globais e derrubou o preço do petróleo.
O movimento não ficou restrito às criptomoedas. O Brent recuou cerca de 4% e se aproximou de US$ 83 por barril, enquanto bolsas asiáticas subiram mais de 3% e os futuros do S&P 500 avançavam 1,2%. A leitura dos investidores foi direta: menor risco de interrupção no fluxo de petróleo reduz pressão sobre inflação, juros e ativos de maior volatilidade.
O acordo foi anunciado no domingo (14) pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, com assinatura prevista para sexta-feira (19), na Suíça. A negociação envolve a reabertura do Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio global de petróleo, mas a retomada plena da circulação não deve ocorrer de forma imediata.
Por que o acordo mexe com o Bitcoin
Criptomoedas costumam reagir com força a mudanças no apetite global por risco. Quando a tensão geopolítica aumenta e o petróleo sobe, investidores tendem a reduzir exposição a ativos voláteis. Quando o petróleo cai e a percepção de risco diminui, parte desse dinheiro volta para ações, tecnologia e criptoativos.
Foi esse ajuste que ajudou o Bitcoin a recuperar terreno. Em 11 de junho, a moeda já havia retomado a faixa de US$ 62 mil, ainda limitada por preocupações com inflação nos Estados Unidos e fluxo de produtos financeiros ligados ao ativo. A alta desta segunda ampliou a recuperação e aproximou a cotação novamente da marca de US$ 67 mil.
Também há um componente técnico na valorização. Dados de derivativos indicavam contratos futuros de Bitcoin somando 748 mil BTC, alta de 4%, enquanto a taxa de financiamento perpétua estava em -1%. Esse tipo de configuração costuma pressionar posições vendidas quando o preço sobe com velocidade, acelerando a recomposição do mercado.
O impacto para o investidor brasileiro
Para quem tem Bitcoin em carteira, a mudança é relevante na marcação a mercado. Uma unidade comprada no fundo de US$ 59.300 passou a valer cerca de US$ 66.800, diferença de US$ 7.500 antes de custos, impostos e conversão cambial. Em reais, o efeito final ainda depende do dólar no momento da operação.
A alta, porém, não elimina a volatilidade. Parte do avanço veio da recomposição de posições e da melhora no humor global, fatores que podem mudar rapidamente se houver atraso na execução do acordo, nova pressão sobre o petróleo ou revisão das expectativas para juros nos Estados Unidos.
O ponto central agora é a implementação do acordo. A assinatura prevista para sexta-feira deve indicar o cronograma para o Estreito de Ormuz e os compromissos assumidos pelas partes. Até lá, petróleo, bolsas e Bitcoin devem continuar reagindo a cada sinal sobre a velocidade da normalização no Oriente Médio.










