As novas tarifas em estudo pelos Estados Unidos podem atingir até US$ 15 bilhões em exportações brasileiras por ano, segundo estimativa divulgada pela Amcham, câmara de comércio Brasil-Estados Unidos. O cálculo mede a fatia das vendas ao mercado americano que ficaria exposta caso a sobretaxa seja aplicada.
A projeção dimensiona exposição potencial, não perda contabilizada. O prejuízo efetivo dependerá da alíquota final, da lista de produtos atingidos e da capacidade de cada setor de redirecionar vendas para outros mercados.
Sobretaxa de 25% no radar
A hipótese em discussão em Washington gira em torno de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo o governo federal, eventuais tarifas americanas alcançariam cerca de 21% do que o Brasil vende ao exterior, percentual que ajuda a explicar a magnitude do impacto estimado pela Amcham.
A escalada comercial é puxada por seis acusações formuladas pelos Estados Unidos contra o Brasil, entre as quais a inclusão do Pix na lista de pontos de atrito apontados por Washington. O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos é tratado pelo governo americano como possível barreira a empresas dos EUA no mercado nacional.
Grupo bilateral discute Section 301
Brasil e Estados Unidos instalaram em maio um grupo de trabalho para discutir as tarifas e a investigação aberta pelos americanos sob a Section 301, dispositivo da legislação dos EUA que permite a Washington retaliar práticas comerciais consideradas desleais. O canal é hoje a principal via diplomática para uma eventual resposta brasileira.
A definição do alcance da medida depende da publicação, pelos Estados Unidos, de ato com alíquota, produtos abrangidos, data de vigência e exceções. Enquanto o texto não é publicado, os US$ 15 bilhões funcionam como referência do tamanho da exposição comercial em jogo na negociação entre os dois países.











