O publisher do New York Times, Arthur Gregg Sulzberger, acusou gigantes da inteligência artificial de cometerem “roubo descarado de propriedade intelectual” ao usar reportagens para treinar e alimentar modelos generativos. A declaração foi dada nesta segunda-feira (1º), em Marselha, no congresso da WAN-IFRA, enquanto o jornal mantém ação judicial contra a startup Perplexity AI por suposta violação de direitos autorais.
A fala recoloca no centro do debate a disputa entre veículos de imprensa e plataformas de IA pelo uso de textos protegidos por direitos autorais. A questão prática é se sistemas generativos podem coletar e reproduzir conteúdo jornalístico sem acordo de remuneração com quem produz a informação.
O que Sulzberger disse em Marselha
Em discurso no congresso da WAN-IFRA, o publisher classificou como “roubo descarado de propriedade intelectual” a prática de empresas de IA que se apropriam de reportagens financiadas por redações. Sulzberger sustenta que o material produzido por jornalistas vem sendo absorvido sem compensação para alimentar respostas de ferramentas comerciais.
A crítica se conecta a um movimento mais amplo do NYT, que há meses sinaliza desconforto com web scrapers — robôs usados para indexar páginas e que acessariam conteúdos jornalísticos protegidos por paywall sem qualquer contrapartida ao produtor original.
A ação contra a Perplexity AI
No plano judicial, o New York Times processa a Perplexity AI por suposta violação de direitos autorais. A startup figura como parte acusada e o processo está em estágio de acusação: não há, até o momento, sentença, acordo ou decisão definitiva que declare a empresa culpada.
O ponto sob apuração é se a Perplexity utilizou conteúdo protegido do jornal de forma indevida em seu serviço de respostas baseado em IA. Cabe diferenciar essa disputa, movida nos Estados Unidos, de menções vagas a um suposto processo no Tribunal de Tóquio que circulam em coberturas agregadas e que não constam dos registros desta ação.
O que ainda falta saber
Os termos completos do processo — em particular os pedidos financeiros do NYT contra a Perplexity — não foram divulgados publicamente. Sem esse dado, não é possível afirmar qual compensação o jornal pretende obter nem em que patamar a indenização eventualmente pleiteada se situa.
A próxima etapa verificável é a publicação integral da peça processual com os valores e pedidos formulados pelo jornal, além de eventuais respostas da Perplexity AI à acusação. O desfecho deve servir de precedente acompanhado por jornais brasileiros e por entidades como a ANJ, caso venham a buscar compensações semelhantes pelo uso de reportagens por modelos de linguagem no país.











