O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em 28 de maio de 2026 que a Petrobras tem interesse em trabalhar com o Suriname na exploração das reservas de petróleo do país vizinho. A declaração foi feita durante a visita oficial da presidente surinamesa Jennifer Geerlings-Simons ao Brasil, que resultou na assinatura de 13 atos bilaterais nas áreas de defesa, energia, saúde, segurança e conectividade.
Segundo Lula, “a Petrobras está pronta para colaborar com a Staatsolie, a estatal surinamesa, no desenvolvimento dos campos descobertos e na exploração de novas áreas”. A fala foi registrada pelo Poder360. Geerlings-Simons, por sua vez, destacou a disposição do Suriname em fortalecer laços energéticos com o Brasil: “Queremos uma parceria de longo prazo com a Petrobras, que tenha benefícios mútuos e ajude a transformar nossa economia”.
Antes mesmo deste encontro, a Petrobras e a Staatsolie Maatschappij Suriname N.V. já haviam assinado um Memorando de Entendimentos não vinculante em 26 de setembro de 2024, conforme fato relevante divulgado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O documento sinalizava a intenção de cooperação, sem tratar de investimentos específicos.
O interesse do Brasil pela produção de petróleo no Suriname ganha peso estratégico diante da proximidade com a Margem Equatorial brasileira, considerada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) como uma região de alto potencial exploratório. O governo brasileiro vê a parceria como uma oportunidade de integrar as cadeias produtivas dos dois países e eventualmente importar o óleo surinamês para abastecer refinarias no Norte e Nordeste.
Durante a visita, os dois presidentes trataram de ampliar o comércio bilateral. A expectativa é que a produção de petróleo no Suriname comece em 2028, segundo informações do Ministério das Relações Exteriores (MRE). A proximidade geográfica pode viabilizar uma logística mais barata do que a importação de óleo de outras regiões.
O Ministério de Minas e Energia (MME) já havia realizado um seminário empresarial virtual sobre oportunidades no setor de petróleo e gás no Suriname, reforçando o alinhamento entre os dois países. Não foram divulgados, contudo, valores de investimento ou estimativas de reservas envolvidas.
A Petrobras não se manifestou até o momento sobre as declarações de Lula. Em situações recentes, a companhia evitou confirmar ou negar especulações de mercado, como ocorreu em maio de 2026 acerca do interesse em um terreno da Refit (reveja o caso).
Além da energia, os 13 atos assinados abrangem cooperação em defesa, com troca de informações sobre proteção de fronteiras, saúde pública – incluindo ações conjuntas no combate a doenças tropicais – e conectividade digital, com iniciativas para ampliar o acesso à internet em regiões remotas do Suriname. Esses acordos reforçam a presença brasileira no país, que já é um importante parceiro comercial na América do Sul.
O Suriname tornou-se novo polo de atenção na indústria petrolífera após descobertas significativas na vizinha Guiana, que compartilha a mesma bacia sedimentar. Grandes petroleiras internacionais como TotalEnergies e Apache já operam no país. Para o Brasil, associar-se à Staatsolie pode abrir portas para uma presença mais ativa na região, ampliando a segurança energética nacional e gerando negócios para a Petrobras em um momento de transição energética global.











