A Ascenty, controladora do maior portfólio de data centers do Brasil, anunciou nesta quarta-feira (27.mai.2026) um investimento de US$ 1,2 bilhão (aproximadamente R$ 6 bilhões) para a construção de quatro novas instalações no interior de São Paulo, com capacidade total de 270 megawatts (MW). O projeto, focado em infraestrutura para inteligência artificial, será desenvolvido em Sumaré e Vinhedo e representa a maior expansão da empresa desde sua fundação. O investimento total do complexo pode chegar a R$ 30 bilhões quando computados os equipamentos dos clientes.
A joint venture da Digital Realty, operadora global de investimentos em infraestrutura digital, utilizará os US$ 1,2 bilhão de caixa próprio para a construção. Os clientes das novas instalações devem adicionar os R$ 24 bilhões restantes em supercomputadores e equipamentos de processamento de IA. Trata-se do primeiro complexo de inteligência artificial do país, segundo informações do anúncio oficial da empresa.
Uma das novas estruturas ficará em Sumaré, com capacidade inicial de 90 MW e possibilidade de expansão para mais 90 MW. A área construída de 48 mil m² será utilizada por um único cliente — uma gigante de tecnologia que não teve o nome revelado. A entrega está prevista para o primeiro semestre de 2028, em prazo de 18 meses. O modelo de contrato mono locatário reflete a demanda de grandes empresas de tecnologia por infraestrutura dedicada e segura para treinamento de modelos de linguagem.
Em Vinhedo, serão construídos três data centers. O Vinhedo 3 terá 90 MW dedicados exclusivamente a IA, sendo 60 MW para uso operacional e 30 MW de TI, também com contrato mono locatário. As instalações Vinhedo 4 e Vinhedo 5 estão projetadas com 45 MW cada. Segundo a Ascenty, os contratos fechados nos últimos três meses equivalem a 40% de toda a capacidade construída pela empresa em 15 anos de operação — um sinal da aceleração da demanda por infraestrutura de IA na região.
Tecnologia inédita para processadores de IA
A expansão traz para o Brasil sistema de resfriamento líquido inédito para processadores de inteligência artificial. A tecnologia é considerada essencial para lidar com o calor gerado por equipamentos de alta performance usados em treinamento de modelos de linguagem e outras aplicações de IA generativa. O resfriamento líquido permite maior eficiência energética comparado aos sistemas tradicionais de ar condicionado, reduzindo custos operacionais e aumentando a densidade de processamento por metro quadrado.
O movimento posiciona o Brasil como hub de infraestrutura de inteligência artificial na América Latina. Megainvestidores como Goldman Sachs, BTG Pactual, Patria Investimentos e General Atlantic já exploram oportunidades no boom global de data centers. Estimativa da McKinsey aponta US$ 7 trilhões em investimentos no setor até 2030, impulsionado pela corrida de empresas de tecnologia por capacidade de processamento para IA.
Sumaré consolida posição como polo de data centers
A Ascenty já opera um data center em Sumaré desde 2017, com investimento de R$ 200 milhões e 20 mil m² de área construída. A cidade, segundo maior município da região metropolitana de Campinas, consolidou-se como polo de data centers devido à infraestrutura de energia elétrica estável, proximidade com centros tecnológicos e acesso a fibra óptica de alta capacidade. A nova expansão reforça essa posição estratégica no cenário nacional e atrai investimentos correlatos ao ecossistema de tecnologia.
O setor de data centers no Brasil vive momento de expansão acelerada. A demanda por infraestrutura de IA impulsiona investimentos em novas tecnologias de resfriamento, fontes de energia renovável e conectividade. Empresas de tecnologia buscam reduzir latência e garantir soberania de dados ao operar infraestrutura local, o que beneficia regiões com condições favoráveis como o interior paulista.
O que esperar agora
O prazo de 18 meses para entrega do data center de IA em Sumaré coloca a operação no primeiro semestre de 2028. A identidade da gigante de tecnologia que reservou a estrutura permanece sob sigito contratual, sem confirmação oficial. O setor acompanha se novos anúncios de investimentos em infraestrutura de IA seguirão o mesmo padrão de contratos mono locatários com clientes globais — modelo que garante previsibilidade de receita para operadoras, mas concentra riscos em poucos clientes de grande porte.
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