A Enel definiu investimento de US$ 2 bilhões no Chile para o triênio 2026-2028, decisão tomada após o CEO global da multinacional italiana, Flavio Cattaneo, reunir-se com autoridades chilenas em Santiago para discutir cooperação em projetos de transição energética e modernização do sistema elétrico. O aporte integra o plano estratégico global de 53 bilhões de euros anunciado em fevereiro e reforça a posição da companhia como principal operadora elétrica do país andino, ao mesmo tempo em que sinaliza priorização da América Latina na estratégia de expansão do grupo.
Do montante global de 53 bilhões de euros previsto para o período até 2028, 20 bilhões de euros estão destinados a energia renovável, enquanto 3 bilhões de euros foram alocados especificamente para projetos na América Latina, contemplando operações no Brasil, Chile e Colômbia. O volume representa aumento de 10 bilhões de euros em relação ao plano anterior, que vigorou entre 2023 e 2025. A decisão de reforçar a presença no Chile ocorre em momento em que o país consolidou-se como destino atrativo para investimentos em infraestrutura energética, beneficiado por marco regulador favorável e rating soberano ‘A’ atribuído pela Fitch Ratings.
Posição dominante no mercado chileno
A Enel consolidou-se como principal operadora elétrica do Chile, com capacidade instalada total de 8,9 GW. Desse total, 6,9 GW provêm de fontes renováveis, percentual que corresponde a 77,5% da matriz energética operada pela empresa no país. A companhia atende aproximadamente 2,2 milhões de clientes e administra mais de 18 mil quilômetros de redes elétricas em território chileno. Os números demonstram o peso da operação chilena no portfólio global da multinacional e explicam a prioridade dada ao mercado nas conversas entre Cattaneo e representantes do governo local.
As discussões tiveram como foco o fortalecimento da cooperação entre a empresa e o poder público em iniciativas de transição energética. O país andino tem se destacado como destino de investimentos em energia limpa na América Latina, com ambiente regulatório considerado estável por investidores institucionais. Documento da Fitch Ratings indica que os ativos da Enel no país estão localizados em jurisdição com grau de investimento, fator relevante para a tomada de decisão sobre alocação de recursos em mercados emergentes.
Sinal brasileiro para o mercado chileno
>Simultaneamente aos anúncios da Enel, o BNDES aprovou financiamento de R$ 390 milhões para subsidiária da Alupar atuar em infraestrutura de energia no Chile. O banco de desenvolvimento brasileiro afirmou que “o apoio do BNDES reforça a estratégia de consolidar a expansão regional da Alupar”. O movimento sinaliza percepção positiva sobre o ambiente regulatório chileno por parte de instituições brasileiras de fomento e indica convergência de interesses entre investidores de diferentes origens no mercado andino.A aprovação do financiamento pelo BNDES ocorre em contexto de intensificação das relações comerciais entre Brasil e Chile no setor energético. Em maio de 2026, os dois países avançaram em cooperação para minerais críticos, conforme relatado anteriormente pelo PIRANOT, movimento que cria ambiente propício para investimentos conjuntos em cadeias de valor ligadas à transição energética.
Operações brasileiras e estratégia regional
A Enel mantém presença relevante no Brasil, onde atua por meio das distribuidoras Enel Distribuição São Paulo e Enel Distribuição Rio. Em novembro de 2024, a empresa ampliou investimentos em redes elétricas em 61,4%, segundo dados do setor. A operação brasileira integra o portfólio regional da multinacional, ao lado das unidades chilena e colombiana. A Fitch Ratings afirmou os ratings da Enel Brasil e de suas subsidiárias em comunicado ao mercado, sinalizando estabilidade na avaliação de risco das operações brasileiras do grupo.
O detalhamento sobre a parcela específica destinada ao Brasil dentro do aporte de 3 bilhões de euros para a América Latina permanece sem confirmação oficial. A empresa não esclareceu se o investimento no Chile representa expansão de capacidade instalada ou manutenção de operações existentes, tampouco divulgou comunicado oficial ao mercado com os valores acordados nas reuniões de Santiago. A identificação dos representantes do governo chileno presentes aos encontros com Cattaneo também não foi divulgada.
Contexto global e perspectiva
O plano estratégico de 53 bilhões de euros até 2028 representa aposta significativa da Enel em energia renovável e modernização de redes. Do total, mais de 26 bilhões de euros estão previstos para geração de energia, com 3 bilhões destinados à América Latina e 23 bilhões para Europa e América do Norte. A distribuição dos recursos reflete a estratégia de diversificação geográfica do grupo italiano, que mantém operações em múltiplos mercados regulados.
A operadora espanhola Endesa, controlada pela Enel, também atualizou seu plano estratégico para o período 2026-2028, prevendo 10,6 bilhões de euros em investimentos globais, dos quais 3 bilhões para energias renováveis. A subsidiária anunciou que prevê iniciar em 2027 a construção do projeto de reconversão da central do Pego, em Portugal, com 600 MW de capacidade híbrida renovável. O movimento indica coordenação entre as unidades do grupo na execução da estratégia global de transição energética.











