A Defesa Civil do Estado de São Paulo informou neste dia 12 que não há prazo definido para a liberação total da área atingida por uma explosão no bairro do Jaguaré, zona oeste da capital, ocorrida na tarde de 11 de maio. O acidente, durante uma obra de remanejamento de tubulação de água da Sabesp, matou o morador Alex Sandro Fernandes Nunes, de 49 anos, feriu três pessoas e danificou 46 imóveis, deixando 160 desalojados.
Segundo o órgão, uma nova vistoria técnica será realizada em conjunto com a Polícia Técnico-Científica e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para avaliar a estabilidade das construções. “Não há prazo para a liberação total da área”, afirmou a Defesa Civil em comunicado, acrescentando que não há risco de nova explosão porque o fornecimento de gás foi interrompido.
A explosão ocorreu por volta das 16h05 na Rua Piraúba, quando uma escavadeira da Sabesp atingiu uma tubulação de gás da Comgás durante uma obra de remanejamento de rede de água. O impacto destruiu parcialmente ou totalmente dezenas de casas. Alex Sandro Fernandes Nunes foi soterrado pelos escombros e morreu no local. Três pessoas ficaram feridas, entre elas um funcionário da Sabesp, que permanece internado em estado grave, segundo o Hospital das Clínicas.
Moradores relataram à Agência Brasil que sentiram cheiro de gás entre 12h e 13h, cerca de três horas antes da explosão, e alertaram funcionários da Sabesp, mas a obra não foi interrompida. “A gente avisou que estava vazando gás, mas eles continuaram trabalhando”, disse um morador que preferiu não se identificar. A Sabesp afirmou em nota que “seguiu todos os procedimentos de segurança” e que a Comgás era responsável pelo acompanhamento da escavação, o que a Comgás nega.
Conflito de responsabilidades entre Sabesp e Comgás
A tragédia expôs um conflito de responsabilidades entre a Sabesp, privatizada em 2024 pelo governo Tarcísio de Freitas, e a Comgás. Enquanto a concessionária de água alega que a Comgás deveria supervisionar a obra, a distribuidora de gás sustenta que a responsabilidade era da Sabesp. O governo estadual anunciou que convocará as duas empresas para esclarecimentos, mas ainda não há data definida.
Enquanto isso, 160 pessoas seguem desalojadas, abrigadas em casas de parentes ou em um centro de acolhimento montado pela prefeitura. A Sabesp e a Comgás anunciaram uma indenização emergencial de R$ 2 mil por família, paga via Pix, mas os danos materiais e emocionais são muito maiores. “É um valor irrisório diante do que perdemos”, afirmou uma moradora que teve a casa interditada.
Especialistas em direito do consumidor ouvidos pelo UOL apontam que as empresas podem ser obrigadas a indenizar integralmente os danos materiais e morais, além de arcar com pensões vitalícias em caso de morte ou invalidez. A Defensoria Pública de São Paulo já estuda uma ação civil pública para garantir os direitos dos afetados.
Debate sobre segurança após privatização da Sabesp
A explosão reacende o debate sobre a segurança em obras de infraestrutura após a privatização da Sabesp. Para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, que se opôs à venda da companhia, o acidente é “consequência direta da lógica de redução de custos e negligência com a segurança que acompanha a privatização”. A Sabesp, por sua vez, afirmou que está colaborando com as investigações e que “a segurança é prioridade”.
Enquanto as investigações avançam, a comunidade do Jaguaré tenta reconstruir a rotina. A Defesa Civil mantém a área isolada e diz que a liberação das casas menos atingidas pode ocorrer nos próximos dias, mas as dez completamente interditadas não têm previsão de desinterdição. “A gente só quer voltar para casa”, desabafou um morador.











