A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que a cepa andina do hantavírus, a única variante com capacidade comprovada de transmissão entre humanos, foi a responsável pelo surto que deixou três mortos e ao menos sete infectados a bordo do cruzeiro MV Hondius. O navio partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, e transportava 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades.
As vítimas fatais foram um casal holandês e uma mulher alemã. Dois passageiros precisaram ser evacuados para Joanesburgo, na África do Sul, onde um deles morreu. Um caso também foi confirmado na Suíça: o paciente está isolado em Zurique, e a esposa, em isolamento preventivo, conforme a OMS.
Navio isolado em Cabo Verde após surto
O MV Hondius atracou em Cabo Verde para o desembarque de doentes e a realização de uma operação logística de emergência. A embarcação havia zarpado rumo à Antártida e fez uma parada nas Ilhas Geórgia do Sul antes de o surto ser detectado. A OMS classificou os passageiros como ‘contatos de alto risco’ e monitora a evolução dos casos.
A cepa Andes, endêmica na região andina da Argentina e do Chile, é transmitida principalmente pela inalação de partículas de urina, fezes ou saliva de roedores infectados. A transmissão entre humanos, embora possível, é considerada rara e exige contato físico próximo e prolongado. Isso torna improvável uma pandemia, mas acendeu alertas sanitários em diversos países.
Ministério da Saúde descarta circulação da cepa Andes no Brasil
O Ministério da Saúde informou que não há circulação da cepa andina no país e que o surto no cruzeiro não representa risco direto à população. Dados oficiais indicam que todos os casos de hantavírus registrados no Brasil em 2026 — sete até o momento — estão associados a outras variantes, sem relação com o genótipo andino.
A pasta mantém vigilância ativa em portos e aeroportos, mas não emitiu restrições de viagem. A recomendação para viajantes que retornam de áreas de risco é procurar atendimento médico ao apresentar sintomas como febre, dores musculares e dificuldade respiratória. Esses sintomas costumam surgir entre uma e seis semanas após a exposição.
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