O turismo em unidades de conservação federais injetou R$ 40,7 bilhões na economia em 2025, com R$ 20,3 bilhões de valor agregado direto ao PIB e 332,5 mil empregos gerados. O retorno por real investido chega a R$ 15,60, conforme dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Apesar disso, o orçamento da autarquia permanece em R$ 1,3 bilhão.
O levantamento do ICMBio consolida as áreas protegidas como motor econômico, especialmente após a retomada do turismo pós-pandemia. A visitação bateu recorde em 2025, impulsionada pelo ecoturismo e pela busca por destinos de natureza.
A disparidade entre o impacto bilionário e os recursos disponíveis expõe um descompasso histórico. Enquanto a arrecadação tributária gerada pelo turismo nas unidades supera o dobro do orçamento, a capacidade de gestão segue limitada.
Retorno econômico supera em 15 vezes o investimento
Cada R$ 1 aplicado nas unidades de conservação federais gerou R$ 15,60 em valor agregado ao PIB, de acordo com o estudo do ICMBio. Em tributos, o retorno foi de R$ 2,30 para cada real investido. Os números reforçam a tese de que conservação e desenvolvimento econômico não são antagônicos.
A arrecadação tributária total proveniente do turismo nas UCs superou R$ 2,9 bilhões, valor que sozinho já ultrapassa o orçamento do ICMBio. “As unidades de conservação são fundamentais no enfrentamento da crise climática e na geração de emprego e renda, especialmente no contexto da COP30”, afirmou Mauro Pires, presidente do instituto, em comunicado oficial.
O efeito multiplicador se espalha por setores como hospedagem, alimentação e transporte, dinamizando economias regionais. Parques nacionais como a Tijuca e Iguaçu estão entre os principais destinos, concentrando parte expressiva dos 332,5 mil postos de trabalho diretos e indiretos.
Orçamento estagnado acirra pressão por mais recursos
O orçamento do ICMBio para 2025 foi fixado em R$ 1,3 bilhão, conforme dados oficiais do governo federal. O valor é inferior à arrecadação tributária gerada pelo turismo nas UCs e contrasta com o crescimento da visitação. O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) aponta que limitações fiscais seguem restringindo investimentos em infraestrutura e fiscalização, mesmo com aumento nas verbas de combate a queimadas.
A pressão por mais recursos ganhou corpo com o estudo do ICMBio, usado como instrumento de advocacy orçamentária. Entidades ambientalistas e parlamentares ligados à pauta verde cobram revisão das dotações, argumentando que o retorno econômico justifica ampliação imediata.
A estagnação orçamentária ocorre em um ano de recorde de visitação, o que agrava o desgaste da infraestrutura e a demanda por serviços. Sem novos aportes, a tendência é de deterioração da experiência turística e aumento dos riscos ambientais.
Riscos de desmonte ameaçam ganhos econômicos
Cortes orçamentários que mantêm o ICMBio com cerca de R$ 1,3 bilhão anuais dificultam a fiscalização e a manutenção das unidades de conservação, ampliando a vulnerabilidade a incêndios, desmatamento e invasões. A falta de recursos compromete a capacidade do órgão de proteger esses territórios.
Paralelamente, propostas de redução de áreas protegidas tramitam no Congresso Nacional, o que representaria retrocesso ambiental e prejuízo ao turismo. Setores econômicos que dependem da visitação, como agências de ecoturismo e comunidades locais, seriam diretamente afetados.
Sem investimento adequado, o país arrisca perder não apenas biodiversidade, mas também um motor econômico que gera R$ 15,60 no PIB para cada real aplicado. A combinação de orçamento estagnado e risco de desmonte legislativo coloca em xeque o legado da COP30 e a imagem do Brasil como potência ambiental.
❓ Perguntas frequentes
Quanto o turismo em parques federais gerou para a economia em 2025?
O turismo em unidades de conservação federais movimentou R$ 40,7 bilhões, com R$ 20,3 bilhões de valor agregado direto ao PIB e geração de 332,5 mil empregos, segundo estudo do ICMBio.
Qual o retorno do investimento em unidades de conservação?
Cada R$ 1 investido nas UCs federais gerou R$ 15,60 em valor agregado ao PIB e R$ 2,30 em tributos, de acordo com levantamento do ICMBio.
Por que o orçamento do ICMBio é considerado insuficiente?
O orçamento de R$ 1,3 bilhão é inferior à arrecadação tributária gerada pelo turismo nas UCs e não acompanha o crescimento da visitação, limitando fiscalização e manutenção.
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