sábado, 18 de julho de 2026
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Alta de 3,8% no faturamento em março não reverte perdas do trimestre nem evita deterioração do mercado de trabalho, com massa salarial caindo 2,4%.

Indústria tem alta de 3,8% no faturamento, mas emprego e renda seguem em queda

Alta de 3,8% no faturamento em março não reverte perdas do trimestre nem evita deterioração do mercado de trabalho, com massa salarial caindo 2,4%.

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Faturamento da indústria subiu 3,8% em março, mas caiu 4,8% no primeiro trimestre.
  • Emprego industrial recuou 0,3% em março, quinta queda em sete meses.
  • Massa salarial despencou 2,4% no mês, com rendimento médio caindo 1,8%.
  • Utilização da capacidade instalada ficou em apenas 77,8% em março.
  • Projeções indicam crescimento zero para a indústria de transformação em 2026.

A indústria de transformação brasileira ensaiou uma reação em março, com alta de 3,8% no faturamento real, mas o dado positivo não conteve a sangria no mercado de trabalho: o emprego recuou pelo quinto mês em sete, e a massa salarial despencou 2,4% no período, corroída pelos juros ainda em 14,50% ao ano.

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Os números, divulgados neste dia 8 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostram um setor que opera com ociosidade elevada e cautela extrema. A utilização da capacidade instalada ficou em apenas 77,8% em março, patamar muito abaixo do necessário para estimular novos investimentos.

A reação mensal interrompeu uma sequência de resultados negativos, mas foi insuficiente para reverter a perda acumulada no primeiro trimestre: na comparação com o mesmo período de 2025, o faturamento da indústria de transformação encolheu 4,8%, conforme os Indicadores Industriais da CNI. O ciclo de alta dos juros, iniciado no fim de 2024, continua produzindo efeitos sobre a atividade.

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Recuperação concentrada e sem espalhamento

O salto de 3,8% no faturamento em março, na margem, veio após meses de contração, mas ficou restrito a poucos segmentos, sem indicar uma retomada disseminada. “O ciclo de alta dos juros, iniciado no fim de 2024 e mantido em 2025, ainda está produzindo efeitos sobre a atividade industrial”, afirmou Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

A taxa Selic, estacionada em 14,50% ao ano pelo Banco Central, encarece o crédito e inibe tanto o consumo de bens duráveis quanto os investimentos produtivos. Com a demanda enfraquecida, a indústria opera com folga significativa — a utilização da capacidade instalada subiu marginalmente de 77,5% para 77,8% entre fevereiro e março, ainda longe do normal.

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As horas trabalhadas na produção até subiram 1,4% no mês, terceira alta consecutiva. Mas, no acumulado do trimestre, o indicador recuou 1,5% em relação a 2025, sinal de que as empresas estão esticando a jornada dos atuais funcionários para atender encomendas pontuais, sem se comprometer com novas contratações.

Emprego e renda: o custo humano do freio monetário

O mercado de trabalho industrial permaneceu sob pressão em março. O emprego na indústria de transformação recuou 0,3% no mês, a quinta retração em sete meses, segundo os Indicadores Industriais da CNI. No acumulado do primeiro trimestre, a queda chega a 0,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

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“O mercado de trabalho industrial permanece pressionado, refletindo a cautela do setor diante dos juros altos”, afirmou Marcelo Azevedo. A massa salarial real despencou 2,4% em março, com o rendimento médio real caindo 1,8% no mesmo mês.

A combinação de horas extras com demissões revela um ajuste defensivo: as empresas preferem enxugar custos a arriscar expansão em um cenário de demanda incerta. Com a renda dos trabalhadores encolhendo, o consumo de bens industriais perde ainda mais fôlego, criando um ciclo vicioso que dificulta a recuperação do setor.

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Projeções para 2026: crescimento zero e dependência dos juros

A indústria de transformação deve encerrar 2026 com estabilidade, segundo projeção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). A entidade estima variação de 0,0% no ano, após retração em 2025. A CNI, por sua vez, projeta alta de apenas 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB) industrial.

Esse cenário contrasta com a queda de 4,8% no faturamento do primeiro trimestre ante igual período de 2025. A taxa Selic, mantida em 14,50% ao ano pelo Banco Central, é apontada como fator de estabilidade no crédito, mas também de freio à demanda. O Relatório de Política Monetária do BC indica que o aperto monetário segue necessário para conter pressões inflacionárias.

Com a utilização da capacidade instalada em apenas 77,8% em março, a indústria opera com folga, o que desestimula novos aportes. A dependência da trajetória dos juros torna o crescimento frágil: qualquer reversão no ciclo de cortes — ainda sem data prevista — pode adiar a recuperação. Enquanto isso, o mercado de trabalho encolhe, corroendo a renda disponível e, por consequência, o consumo de bens industriais.


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