Uma bomba caseira recheada de pregos, porcas e parafusos explodiu no pátio do CIEP Lasar Segall, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, na manhã de dia 8, ferindo oito adolescentes. O artefato, feito com um tubo de PVC, foi manuseado por um aluno antes da detonação, conforme o Corpo de Bombeiros. As vítimas, com idades entre 13 e 17 anos, foram levadas ao Hospital Municipal de Belford Roxo. A maioria é do sexo masculino, mas uma menina de 16 anos também ficou ferida. A Polícia Civil investiga se o explosivo foi lançado por cima do muro ou levado para dentro da escola, no bairro Areia Branca. As aulas foram suspensas imediatamente.
A escolha dos materiais indica intenção de causar danos graves. O tubo de PVC foi preenchido com metais pontiagudos que funcionaram como estilhaços, maximizando o poder de ferimento. Um porta-voz dos bombeiros afirmou, com base em relatos de testemunhas, que o artefato foi manuseado por um aluno antes da explosão. A Polícia Civil ainda não determinou se o explosivo entrou na escola pelas mãos de um estudante ou foi arremessado do lado de fora. A investigação da Delegacia de Belford Roxo tenta rastrear quem montou o artefato e como os componentes foram obtidos.
O episódio reforça alertas antigos sobre a facilidade de acesso a materiais para fabricação de bombas caseiras. Dados do Ministério da Educação, por meio do programa Escola que Protege, já mapeavam a recorrência de violências nas instituições de ensino, mas a fiscalização de entrada ainda é frágil na maioria das escolas públicas. A combinação de itens comuns, como tubos de PVC e metais, com pólvora ou outros propelentes, cria um risco subestimado: não é preciso ser especialista para montar um artefato com alto poder de ferimento.
Histórico de violência nas escolas do Rio de Janeiro
A explosão em Belford Roxo não é um fato isolado. Dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ) mostram que 95% das escolas públicas estaduais têm o trajeto dos alunos impactado por tiroteios, operações policiais ou confrontos entre facções. O problema vai além do caminho para a aula. Um levantamento do jornal Extra indica que uma em cada quatro escolas no Rio já suspendeu atividades por questões de segurança. Entre 2023 e 2025, cerca de 190 mil estudantes foram afetados por paralisações.
A facilidade de acesso a itens como pólvora e metais agrava o cenário. O artefato usado no CIEP Lasar Segall demonstra como produtos comuns, vendidos em lojas de material de construção, podem ser transformados em armas letais sem nenhum controle. A violência escolar também tem raízes profundas: dados do IBGE indicam que quatro em cada dez adolescentes já sofreram bullying, e o Unicef reporta que metade dos estudantes do ensino fundamental e médio sofre com violência escolar. Apesar dos sinais, medidas preventivas ainda são incipientes.
Falhas na prevenção e o debate sobre segurança
A ausência de detectores de metais ou protocolos rígidos de entrada na maioria das escolas públicas aumenta a vulnerabilidade. O episódio em Belford Roxo reacende a discussão sobre políticas integradas entre segurança e educação. O Ministério da Educação mantém um programa federal para mapear violências nas escolas, mas sua implementação é desigual. Sem ações concretas, a sala de aula segue exposta a riscos que vão além do currículo.
A investigação da Polícia Civil agora busca identificar a origem do artefato e os responsáveis. Enquanto isso, a comunidade escolar de Belford Roxo lida com o trauma de mais um ataque que poderia ter sido evitado. A pergunta que fica é: quantos alertas ainda serão necessários para que a segurança nas escolas deixe de ser uma promessa e se torne uma prioridade?
🗞️ Fontes consultadas
- ✓ Bomba caseira explode em escola no RJ e deixa 8 feridos
- ✓ Bomba caseira explode em escola do Rio de Janeiro e fere pelo menos 10 alunos











