A Disney alcançou receita recorde de US$ 25,2 bilhões no segundo trimestre fiscal de 2026, alta de 7% em relação ao ano anterior, mesmo com menos visitantes em seus parques nos Estados Unidos. O resultado, divulgado pela própria companhia, mostra que a estratégia de elevar preços compensou a queda de 1% na frequência doméstica.
O gasto médio por visitante nos parques americanos cresceu 5% no período, conforme análise da XP Investimentos. A empresa tem apostado em reajustes de ingressos e na venda de experiências premium para maximizar a receita por cliente.
O cenário reflete um momento de transição para a Disney, que em março de 2026 passou a ser comandada por Josh D’Amaro, ex-chefe da divisão de parques. Ele assumiu o cargo de CEO em meio a ventos contrários na economia global, com o dólar valorizado e os efeitos da guerra entre Estados Unidos e Irã sobre o turismo.
Preços mais altos blindam receita contra queda de visitantes
A divisão de Parques, Experiências e Produtos faturou US$ 9,5 bilhões no trimestre encerrado em 28 de março, alta de 7% na comparação anual. O avanço ocorreu apesar de os parques domésticos terem recebido 1% menos visitantes, conforme dados oficiais da empresa.
‘A força criativa e a inovação no streaming seguem como pilares do crescimento’, afirmou D’Amaro em comunicado, destacando o investimento contínuo em conteúdo original. A declaração veio após o balanço mostrar que o lucro líquido encolheu 31%, para US$ 2,24 bilhões, pressionado por custos operacionais mais altos.
A alta nos custos com combustível de aviação, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, corroeu as margens da operação de parques, segundo o Valor Econômico. O dólar forte também reduziu o poder de compra de turistas internacionais, que tradicionalmente representam fatia relevante do público.
Guerra e dólar alto afastam turistas internacionais
Dados oficiais indicam que as chegadas de estrangeiros aos EUA caíram 5,5% em 2025. A guerra entre EUA e Irã agravou esse movimento, elevando os custos de viagem e gerando incertezas. A Disney não detalhou a queda por origem, mas a XP Investimentos aponta que a redução de visitantes internacionais contribuiu para o esvaziamento nos parques.
O cenário levou a Disney a recalibrar sua estratégia. Em vez de buscar volume, a gestão de D’Amaro concentra esforços em extrair mais valor de cada cliente. O gasto médio por visitante subiu 5%, impulsionado por reajustes nos ingressos e pela oferta de serviços premium, como acesso prioritário a atrações.
A empresa reconheceu ‘incerteza macroeconômica’ e afirmou que está atenta aos desafios dos consumidores. Apesar do tom cauteloso, a receita total atingiu o maior patamar da história para um segundo trimestre fiscal.
Streaming e cinema impulsionam resultado
A unidade de Cinema e Televisão, que inclui o streaming, faturou US$ 11,7 bilhões, alta de 10% em relação ao ano anterior. A receita de streaming subiu 13%, impulsionada por novos assinantes e pelo sucesso do filme original da Pixar, ‘Hoppers’, que arrecadou US$ 370 milhões em bilheteria desde março.
O desempenho da divisão ajudou a compensar a pressão nos parques. Enquanto a visitação doméstica caía, o streaming crescia em receita e em base de assinantes. A Disney não divulgou o número exato de novos clientes, mas analistas apontam que o investimento em conteúdo original tem sido decisivo para manter a plataforma competitiva.
O resultado mostra a resiliência do modelo de negócios da Disney em meio à volatilidade do turismo global. A combinação de parques com ingressos mais caros, streaming em expansão e sucessos de bilheteria permitiu à empresa navegar um trimestre marcado por guerra, dólar alto e queda no fluxo de estrangeiros.











