O pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) afirmou que o Brasil “não comporta” conceder ganhos reais a aposentados. A declaração escancara o abismo entre o discurso de austeridade e a realidade de 79% dos beneficiários do INSS, que sobrevivem com menos de R$ 2 mil mensais.
A fala, registrada pelo jornal Estado de Minas, ocorre em um momento de pressão fiscal. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 projeta déficit de R$ 328 bilhões na Previdência, equivalente a 2,58% do Produto Interno Bruto (PIB). Projeções de longo prazo indicam que o rombo pode alcançar 11,59% do PIB em 2100, conforme dados do governo federal.
Para especialistas, a discussão sobre reajustes reais expõe a tensão entre sustentabilidade fiscal e proteção social. Enquanto o governo busca conter gastos, a maioria dos aposentados enfrenta benefícios defasados e renda insuficiente para cobrir despesas básicas.
O déficit bilionário e a fala de Zema
“Não podemos estar dando ganhos reais, de forma alguma, para quem está aposentado. Na minha opinião, é algo que o Brasil hoje não comporta”, declarou Zema, conforme divulgado pelo Estado de Minas. A declaração foi dada em maio de 2026, quando o ex-governador mineiro já se posicionava como pré-candidato ao Planalto.
O déficit do INSS é um dos principais desafios fiscais do país. Dados da LDO 2026 apontam que o rombo deve quadruplicar até o fim do século, pressionado pelo envelhecimento populacional. A conta, no entanto, recai desproporcionalmente sobre quem já recebe o piso previdenciário.
A realidade de quem depende do INSS
Levantamento do Monitor Mercantil indica que 79% dos aposentados brasileiros vivem com menos de R$ 2 mil por mês. O valor médio dos benefícios em 2026 está projetado em R$ 1.621, montante que mal cobre necessidades básicas, quanto mais permite poupança ou investimento.
Dados do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, publicados pelo Extra, mostram que 60% dos brasileiros chegam à aposentadoria sem qualquer planejamento financeiro. Outros 40% precisam complementar a renda para arcar com despesas mensais, revelando a fragilidade da rede de proteção social.
As dicas de planejamento e a exclusão dos informais
As cinco dicas de planejamento financeiro que motivaram o debate — mapear gastos, definir metas, investir, automatizar economias e reavaliar periodicamente — partem de uma premissa que exclui a maioria dos aposentados: a existência de renda estável e sobra mensal.
Para trabalhadores informais e de baixa renda, a margem de manobra financeira é quase inexistente. Conselhos genéricos ignoram a realidade de milhões que dependem exclusivamente do INSS e já enfrentam benefícios defasados pela inflação.
A declaração de Zema, ao rejeitar ganhos reais, joga luz sobre o dilema: como equilibrar as contas públicas sem penalizar ainda mais quem já recebe o piso? Enquanto o debate político avança, a maioria dos aposentados segue sem margem para planejar o futuro.











