Um menino de 10 anos, vítima de estupro coletivo, dormiu dois dias dentro de um carro abandonado, aterrorizado pela ameaça dos agressores de incendiar a casa da família. O crime ocorreu em 21 de abril de 2026, em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, e envolveu outra criança de 7 anos.
A família só localizou o garoto após registrar um boletim de ocorrência de desaparecimento. Ele cedeu ao cansaço e à fome, mas o medo de represálias o manteve escondido por quase 48 horas, segundo relato da mãe.
Os suspeitos — quatro adolescentes conhecidos da vítima e um adulto identificado como Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos — foram identificados depois que as imagens do ataque, gravadas por eles próprios, circularam nas redes sociais. A Polícia Civil de São Paulo prendeu o adulto no interior da Bahia, e a transferência para a capital estava prevista para 5 de maio de 2026.
Ciclo de violência e impunidade no bairro
O caso reabriu uma ferida familiar. Há oito anos, uma irmã da vítima, de apenas 3 anos, foi abusada sexualmente e morta no mesmo bairro. Dois homens foram presos pelo crime anterior, mas a mãe afirmou que nada trará a filha de volta.
A repetição da violência escancara um ciclo de impunidade na região. Bruno Matos, presidente do Instituto de Criminalística e Análise de Provas (ICAN/SP), revelou que a área já foi alvo, dois anos atrás, de uma investigação com autoridades internacionais em busca de criminosos sexuais. O esquema envolvia a oferta de cestas básicas para dopar crianças, abusar delas e vender o conteúdo para o mercado de pedofilia.
A mãe, que não teve o nome divulgado, descreveu o impacto emocional de reviver a dor. “Estou com muito ódio”, declarou. Segundo ela, os agressores adolescentes do novo caso eram conhecidos da família e brincavam com o menino. O adulto preso não era próximo.
Investigação a partir de imagens nas redes sociais
A investigação que levou à identificação dos suspeitos teve início com a circulação das imagens do crime nas redes sociais. Os próprios agressores gravaram o ataque e distribuíram o conteúdo, o que permitiu à polícia chegar aos envolvidos, conforme informou o 63º DP (Vila Jacuí), responsável pelo inquérito.
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, afirmou que “as imagens e os gritos ficaram no meu subconsciente”, evidenciando a brutalidade do material que serviu de prova. A delegada responsável pelo caso detalhou que as vítimas foram atraídas para um imóvel com a promessa de ganhar linha para pipa.
A família foi forçada a deixar o bairro após as ameaças de morte. O caso corre sob sigilo, mas a polícia trabalha para concluir o inquérito e responsabilizar todos os envolvidos. A Secretaria de Segurança Pública informou que Alessandro deve ser transferido para São Paulo em 5 de maio de 2026.











