O Irã executou dois homens de origem curda condenados por espionagem para Israel, em um processo que organizações de direitos humanos classificam como farsa judicial baseada em confissões obtidas sob tortura. As mortes de Yaghoub Karimpour e Naser Bakrzadeh, em 2 de maio de 2026, elevam para quase 2 mil o número de execuções no país em 2025, um recorde que expõe a instrumentalização do sistema judicial para silenciar minorias e dissidentes.
As execuções ocorreram na prisão de Tabriz, no noroeste do Irã, e foram comunicadas pelo Judiciário iraniano por meio da agência estatal Mizan. Os dois homens foram acusados de colaborar com o Mossad, o serviço secreto israelense, em um contexto de paranoia interna após a guerra de 12 dias entre Irã e Israel, em junho de 2025.
A organização de direitos humanos Hengaw, sediada na Noruega, denunciou que os réus não tiveram acesso a um julgamento justo. “As confissões foram extraídas sob tortura e os julgamentos foram uma farsa”, declarou a entidade. A agência curda Rudaw classificou os executados como prisioneiros políticos de minorias étnicas, reforçando a percepção de que o regime usa a Justiça para eliminar adversários internos.
Escalada repressiva atinge minorias étnicas
O Irã executou 1.858 pessoas em 2025, mais que o dobro das 853 registradas no ano anterior, segundo relatório da ONG Iran Human Rights. O aumento coincide com a intensificação dos conflitos regionais e atinge desproporcionalmente curdos e balúchis, frequentemente condenados em julgamentos sumários por acusações de espionagem ou “inimizade com Deus”.
“As execuções se tornaram uma ferramenta sistemática de intimidação e controle social”, afirmou Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da Iran Human Rights. Dados da Hengaw indicam que as minorias étnicas são os alvos preferenciais dessa política, com confissões obtidas sob coação e sem direito a defesa adequada.
A prática, segundo analistas, visa sufocar dissidências internas e projetar força diante de ameaças externas. O regime iraniano intensificou a caça a suspeitos de colaboração com Israel, em um clima de vigilância que lembra os piores momentos da repressão pós-revolucionária.
Justiça iraniana é usada como arma política
A Suprema Corte do Irã confirmou as sentenças de morte em um processo marcado pela ausência de garantias processuais, segundo a Hengaw. O padrão de acusações de espionagem tem sido utilizado para silenciar vozes críticas, com organizações como a Anistia Internacional denunciando a falta de transparência e o uso de tortura.
“O regime iraniano intensifica a repressão a suspeitos e caça a espiões como forma de consolidar o controle interno”, declarou um porta-voz da Hengaw ao documentar o caso. A comunidade internacional condenou as execuções, mas o impacto nas relações diplomáticas do Irã permanece limitado, já que o governo rejeita as críticas e insiste na legalidade dos processos.
A instrumentalização da Justiça serve tanto para eliminar adversários internos quanto para enviar um recado a inimigos externos, como Israel. Enquanto o número de execuções bate recordes, o regime aprofunda seu isolamento, apostando no medo como estratégia de sobrevivência.
❓ Perguntas frequentes
Quantas pessoas foram executadas no Irã em 2025?
Segundo a ONG Iran Human Rights, o Irã executou 1.858 pessoas em 2025, um aumento de mais de 100% em relação a 2024, quando foram registradas 853 execuções. O número é o maior da história recente do país.
Por que os dois homens foram executados no Irã?
Yaghoub Karimpour e Naser Bakrzadeh, de origem curda, foram condenados por espionagem para o Mossad, serviço secreto israelense. Organizações de direitos humanos afirmam que as confissões foram obtidas sob tortura e que não tiveram um julgamento justo.
O que a comunidade internacional diz sobre as execuções no Irã?
A comunidade internacional condenou as execuções, com entidades como Anistia Internacional e Hengaw denunciando violações de direitos humanos. No entanto, o governo iraniano rejeita as críticas e mantém a política de pena de morte.











