sábado, 18 de julho de 2026
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Órgão aponta irregularidades e falta de registro profissional; acidente matou trabalhador de 36 anos durante preparação para show em Copacabana

Crea-RJ multa empresa por irregularidades em palco de Shakira após morte de operário

Órgão aponta irregularidades e falta de registro profissional; acidente matou trabalhador de 36 anos durante preparação para show em Copacabana

· 4 min de leitura · Atualizado em 08.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT - Editoria de Loterias

O que já sabemos

  • Multa de R$ 63.453,60 aplicada pelo Crea-RJ por falta de registro e responsável técnico
  • Operário Bruno da Silva, 36 anos, morreu ao cair de 12 metros durante montagem de elevadores
  • Empresa Estrutural Montagens e Eventos estava irregular e não fornecia EPIs adequados

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) anunciou nesta quarta-feira (30) que aplicará multa de R$ 63.453,60 à empresa responsável pela montagem do palco do show da cantora Shakira, em Copacabana. A punição ocorre após a morte de um operário durante a preparação do evento. A vítima, identificada como Bruno da Silva, de 36 anos, caiu de uma altura aproximada de 12 metros enquanto trabalhava na estrutura de elevação do palco, na tarde de segunda-feira (28), e não resistiu aos ferimentos.

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Irregularidades na montagem do palco

O acidente ocorreu por volta das 16h, quando Bruno da Silva, funcionário da empresa Estrutural Montagens e Eventos, realizava a montagem dos elevadores hidráulicos que compõem o palco. Segundo testemunhas, ele perdeu o equilíbrio e despencou, sofrendo traumatismo craniano e múltiplas fraturas. Equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu foram acionadas, mas o óbito foi constatado no local. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do caso. O delegado responsável afirmou que “vai intimar os responsáveis pela empresa para prestar esclarecimentos sobre as condições de segurança do trabalho”.

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A fiscalização do Crea-RJ, realizada em conjunto com a Superintendência Regional do Trabalho, identificou que a Estrutural Montagens e Eventos não possuía registro no conselho de classe, obrigatório para empresas que executam serviços de engenharia. Além disso, a empresa não dispunha de um profissional habilitado como responsável técnico pela obra. O presidente do Crea-RJ, Luiz Antonio Cosenza, declarou: “A empresa estava atuando de forma irregular. Vamos autuar e multar, pois a falta de registro e de responsável técnico configura exercício ilegal da profissão e coloca em risco a vida dos trabalhadores e do público”. A multa aplicada corresponde a 2.500 Ufirs-RJ, valor máximo previsto para infrações graves.

A Estrutural Montagens e Eventos foi contratada pela produtora responsável pelo show, a Live Nation, para executar a montagem da estrutura metálica e dos sistemas de elevação do palco. A obra, que integra a turnê “Las Mujeres Ya No Lloran”, começou no dia 24 de abril e tinha previsão de conclusão para 2 de maio, data do evento. Após o acidente, os trabalhos foram suspensos por 24 horas, mas retomados na terça-feira (29) sob acompanhamento de auditores fiscais. A cantora Shakira se manifestou nas redes sociais, afirmando estar “comovida com a tragédia” e prestando solidariedade à família da vítima.

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Repercussão e debate sobre segurança

A morte de Bruno da Silva expõe a precariedade da fiscalização em grandes eventos e reacende o debate sobre segurança do trabalho na construção civil temporária. Dados da Superintendência Regional do Trabalho no Rio de Janeiro mostram que, em 2025, foram registrados 23 acidentes graves em montagens de estruturas para shows e festivais no estado, com três mortes. O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada do Rio de Janeiro (Siticop-RJ) cobrou providências e afirmou que “a empresa não fornecia equipamentos de proteção individual adequados, como cintos de segurança e linhas de vida”.

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A multa do Crea-RJ, embora simbólica diante do faturamento de grandes produtoras, pode desencadear consequências mais amplas. A empresa autuada ficará impedida de participar de licitações públicas e poderá ter o registro profissional cassado caso reincida. Além disso, a Polícia Civil investiga possível homicídio culposo, com pena de detenção de um a três anos para os responsáveis. O delegado titular da 12ª DP (Copacabana) informou que “peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli já realizaram a perícia no local e aguardam laudos complementares para concluir o inquérito”.

A tragédia levanta questões sobre a responsabilidade compartilhada entre contratantes e contratadas. Especialistas em direito trabalhista apontam que a Live Nation, como tomadora do serviço, pode ser solidariamente responsabilizada por danos morais e materiais à família da vítima. O caso também pressiona o poder público a reforçar a fiscalização preventiva, especialmente em eventos de grande porte que mobilizam milhares de trabalhadores temporários. Enquanto isso, a família de Bruno da Silva, que deixa esposa e dois filhos pequenos, aguarda justiça e cobra indenizações.

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