O avanço desenfreado do desmatamento e das queimadas no interior de São Paulo está empurrando a fauna silvestre para o convívio perigoso com áreas urbanas. O resultado é alarmante: os casos de sarna sarcóptica entre animais silvestres cresceram 700% nos últimos oito anos, segundo dados compilados pela Associação Mata Ciliar. O fenômeno atinge principalmente o lobo-guará, espécie símbolo do Cerrado, que acaba se infectando ao entrar em contato direto com cães domésticos doentes nas periferias das cidades.
Pressão Urbana e Crise no Manejo de Fauna
Com sede em Jundiaí, a Mata Ciliar registrou um aumento de até 135% nos resgates totais de fauna nos últimos meses. Essa pressão sobre o sistema de reabilitação é visível nos números: a média de atendimentos diários subiu 50% desde 2016, elevando os custos operacionais para cerca de R$ 90 mil mensais. A ocupação desordenada do solo elimina os corredores ecológicos, forçando os animais a buscar alimento e abrigo em locais onde a transmissão de doenças zoonóticas é inevitável.
O Drama do Lobo-Guará
Espécie ameaçada, o lobo-guará tem sido a maior vítima desse desequilíbrio na divisa entre São Paulo e Minas Gerais. A Fundação Florestal aponta que a sarna debilita o animal a ponto de torná-lo incapaz de caçar, levando-o à morte se não houver intervenção rápida. Casos como o de um lobo resgatado em Pedreira, que passou por cirurgias e quarentena rigorosa, mostram a complexidade e o alto custo do tratamento necessário para salvar esses indivíduos.
Contextualização: A Importância da Mata Ciliar
Fundada há mais de três décadas, a Associação Mata Ciliar é uma das principais entidades de preservação da biodiversidade paulista. O aumento nos casos de doenças como a sarna reflete a degradação dos ecossistemas locais, transformando o trabalho de reabilitação em uma corrida contra o tempo para evitar a extinção local de predadores essenciais para o equilíbrio ambiental.











