Marcelo Gasparino da Silva renunciou na manhã desta segunda-feira (27) aos cargos de membro e vice-presidente do conselho de administração da Vale, após o colegiado aprovar sua destituição por um vazamento de informações confidenciais atribuído a ele.
A Vale comunicou ao mercado que recebeu a carta de renúncia de Gasparino e que a saída terá efeitos a partir de 1º de agosto de 2026. A renúncia deixará uma vaga no conselho de administração da companhia.
A destituição aprovada pelo conselho ainda dependia de deliberação dos acionistas. A saída formalizada antes dessa etapa encerra a permanência de Gasparino no colegiado sem que a medida seja submetida à assembleia.
Segundo a Vale, o conselho decidiu, em 22 de julho de 2026, destituir Gasparino por um vazamento de informações confidenciais relativas à reunião de 19 de junho. A conclusão partiu de investigação conduzida por escritório externo independente, contratado por determinação do próprio Conselho de Administração.
A investigação foi recomendada pelo Comitê de Auditoria e Riscos (Care) e pela Diretoria de Auditoria e Conformidade. De acordo com a companhia, o escritório classificou o ato como desvio de conduta nos termos das políticas internas da Vale.
Disputa pelo comando do conselho antecede renúncia
A sequência começou em 19 de junho de 2026, data da reunião do conselho da Vale à qual se referiam as informações confidenciais. Em 22 de julho de 2026, a assembleia geral extraordinária elegeu Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie e apoiado pela Previ, para a presidência do conselho.
Na mesma data, o conselho aprovou a destituição de Gasparino. O rito, porém, ainda exigia aprovação dos acionistas. A renúncia foi formalizada em 27 de julho de 2026, com eficácia marcada para 1º de agosto.
Os números da votação ajudam a dimensionar a disputa. Ollie recebeu 1,97 bilhão de votos favoráveis, 105 milhões contrários e 1,42 bilhão de abstenções. Gasparino somou 1,06 bilhão de votos favoráveis, 1,18 bilhão de contrários e 1,25 bilhão de abstenções.
Na mesma assembleia, Ieda Gomes foi eleita conselheira com 2,4 bilhões de votos favoráveis, contra 628,5 milhões de José Maurício Coelho.
Saída produz efeitos em agosto e deixa cadeira vaga
A renúncia aos cargos de membro e vice-presidente do conselho produzirá efeitos em 1º de agosto de 2026. A Vale não indicou, na comunicação divulgada nesta segunda-feira (27), um substituto para a cadeira.
A mudança altera a composição do conselho poucos dias depois da eleição de Ollie. A partir de 1º de agosto de 2026, a cadeira de Gasparino ficará vaga até que a Vale defina e anuncie a sucessão.












