Flávio Bolsonaro foi oficializado candidato do Partido Liberal à Presidência neste sábado (25), em convenção em São Paulo, com uso de IA atribuída a Jair Bolsonaro.
O ato combinou homologação partidária, crítica direta a Lula e participação sintética do ex-presidente, que não esteve no evento. A dúvida prática agora é se o uso de avatar político terá algum desdobramento no Tribunal Superior Eleitoral.
Em registro publicado pela imprensa, Flávio Bolsonaro disse neste sábado (25) que “quem teve 3 mandatos para fazer e não fez, não merece o 4º”, em referência a Lula.
Outro registro da convenção informou que o evento nacional do PL confirmou a candidatura do senador e não contou com a presença física de Jair Bolsonaro.
Homologação ocorre com Jair Bolsonaro fora do palanque
Em 2026, Jair Bolsonaro está inelegível e preso por determinação do Supremo Tribunal Federal. Nesse cenário, o grupo bolsonarista reorganizou a disputa nacional em torno de Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente.
Em 2022, Jair Bolsonaro disputou o segundo turno contra Lula. Agora, a convenção do PL formaliza Flávio como nome do partido para a eleição presidencial de 2026, em São Paulo, principal colégio eleitoral do país.
A movimentação já vinha sendo acompanhada pelo PIRANOT. Em 7 de julho de 2026, Valdemar cobrou união do PL para a convenção de Flávio Bolsonaro em São Paulo. Neste sábado (25), o partido concluiu a etapa formal de homologação.
Os números do Datafolha citados na apuração mostram Lula com 48% em simulação de segundo turno contra Flávio, que aparece com 43%. A rejeição registrada é de 48% para Flávio Bolsonaro e 46% para Lula.
IA entra na disputa sob pressão por regra eleitoral
A campanha de 2026 ocorre sob restrições ao uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral. A convenção do PL colocou o tema no centro do ato ao exibir uma representação sintética atribuída a Jair Bolsonaro.
Lula também tratou do tema neste sábado (25). Em registro publicado pela imprensa, o presidente afirmou: “Talvez essa seja a primeira eleição do Brasil em que os adversários, por não ter propostas, vão usar inteligência artificial para inventar coisas que eles não fizeram”.
A fala de Lula funciona como contraponto político ao uso da ferramenta pelo PL. Até aqui, não há manifestação formal do Tribunal Superior Eleitoral classificando o vídeo da convenção como irregular.
Flávio é questionado sobre conformidade com o TSE
Procurado, Flávio Bolsonaro não respondeu até o fechamento sobre a conformidade do uso da IA atribuída a Jair Bolsonaro com as resoluções do Tribunal Superior Eleitoral.
O ponto jurídico sensível é a diferença entre uso político de imagem sintética e infração eleitoral. Sem manifestação formal do TSE, não é possível afirmar que a convenção violou a legislação eleitoral.
O PL também não apresentou, nos registros disponíveis, uma consulta prévia ao Tribunal Superior Eleitoral sobre o uso de representação sintética de filiado sob restrição judicial de comunicação.
Próxima etapa depende de manifestação eleitoral
O encaminhamento confirmado é a homologação de Flávio Bolsonaro como candidato do PL à Presidência. A reação jurídica ao uso de IA ainda depende de provocação, análise ou manifestação formal do Tribunal Superior Eleitoral.
Também seguem pendentes eventuais publicações oficiais sobre limites aplicáveis ao caso concreto. Até que isso ocorra, o fato político é a escolha do PL e o uso de IA como peça de convenção.












