terça-feira, 21 de julho de 2026
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Brasil

Área queimada no Brasil cai 58% em 2025, mas dados divergem entre órgãos

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • O Pantanal registrou a maior retração, com 91% menos área queimada em relação a 2024
  • A Amazônia teve queda de 75%, mas ainda concentra a maior parte da área queimada histórica junto com o Cerrado
  • A Caatinga foi o único bioma a piorar, com aumento de 3% nas queimadas
  • A divergência nos percentuais decorre de bases de comparação distintas: ano anterior, ajustes sazonais ou média histórica

A área queimada no Brasil encolheu 58% em 2025 na comparação com o ano anterior, interrompendo a escalada de incêndios que em 2024 consumiu 302 mil km² de vegetação. O país perdeu 12,7 milhões de hectares para o fogo no ano passado, segundo dados do MapBiomas divulgados nesta segunda-feira (20).

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A redução expressiva, no entanto, vem acompanhada de uma divergência estatística que exige atenção: enquanto a comparação direta entre 2024 e 2025 aponta queda de 58%, o próprio MapBiomas calcula um recuo de 31%, e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) fala em 39% de diminuição em relação à média dos oito anos anteriores (2017 a 2024).

Os números por bioma ajudam a entender o fenômeno. O Pantanal, que ardeu de forma dramática em 2024, registrou a maior retração: 91% menos área queimada. Na Amazônia, a queda foi de 75%; na Mata Atlântica, 58%; e no Pampa, 45%. O Cerrado teve redução modesta de 7%, enquanto a Caatinga foi o único bioma a piorar, com alta de 3%, conforme os dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da UFRJ (Lasa/UFRJ) apresentados pelo MMA.

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Por que os percentuais divergem

A diferença entre os índices decorre da base de comparação utilizada. A queda de 58% é o cálculo direto entre a área queimada em 2024 (302 mil km²) e a de 2025 (127 mil km²). Já o MapBiomas adota metodologia própria que pode considerar ajustes sazonais ou exclusão de áreas de manejo, resultando em 31% de redução. O MMA, por sua vez, compara 2025 com a média histórica de oito anos, diluindo o pico de 2024 e chegando a 39%.

Especialistas ouvidos pelo PIRANOT alertam que a escolha do denominador muda a percepção do problema. “A comparação ano a ano captura o efeito imediato das políticas de controle, mas a média histórica mostra a tendência de longo prazo”, explica Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam. O MapBiomas não detalhou os critérios exatos de seu cálculo de 31%.

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O que explica a queda

A retração do fogo em 2025 está associada a dois fatores principais: clima mais favorável e intensificação da governança. Após a seca severa de 2024, o regime de chuvas se normalizou em parte dos biomas, reduzindo a inflamabilidade da vegetação. Ao mesmo tempo, o governo federal implementou a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF), que articula ações de prevenção e combate com estados e municípios.

“Os resultados decorrem da execução dessa nova governança, que vem sendo desenvolvida desde 2023 com base na ciência”, afirmou a ministra Marina Silva durante a apresentação dos dados do MMA em março. A pasta também cita a queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado como fator que diminuiu as fontes de ignição.

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Apesar do alívio, o país ainda queimou uma área equivalente ao território da Inglaterra. A Caatinga, que teve aumento de 3%, preocupa: o bioma enfrenta estiagem prolongada e expansão de atividades agropecuárias que usam o fogo para limpeza de pastos.

Próximos passos

O MMA informou que os dados completos do monitoramento de 2025, incluindo a distribuição mês a mês e por estado, serão publicados no segundo semestre. O MapBiomas deve detalhar sua metodologia em nota técnica nas próximas semanas. A continuidade da tendência de queda dependerá da manutenção das políticas de controle e do comportamento climático em 2026, especialmente no Cerrado e na Caatinga.

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