A Belvitur, agência de turismo da holding BeFly, contratou R$ 48,9 milhões em empréstimos junto ao Banco Master em 2023, segundo o liquidante da empresa. A informação consta de relatório divulgado nesta quinta-feira (16) e amplia o escrutínio sobre os vínculos financeiros entre o banco e o grupo controlado por Marcelo Cohen.
A revelação surge enquanto o Banco Master enfrenta reestruturação, com R$ 1,2 bilhão em garantias do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e mais de 100 mil credores ainda sem receber, conforme mostrou o PIRANOT na quarta-feira (15).
O valor representa cerca de 4,9% do faturamento de R$ 1 bilhão da Belvitur em 2023, segundo dados do liquidante. A operação foi fechada em dezembro daquele ano, mas só agora veio a público.
Histórico da holding e relação com o banco
A Belvitur foi fundada em 1963 por David Cohen e cresceu no mercado mineiro de turismo corporativo. Em outubro de 2021, sob o comando de Marcelo Cohen, o grupo adquiriu a Flytour por R$ 500 milhões, estruturando a holding BeFly, que se tornou uma das maiores do setor de viagens do país.
A holding já vinha enfrentando desgaste de imagem devido à proximidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, conforme reportagens da imprensa. O Banco Master, por sua vez, está sob intervenção do Banco Central desde o ano passado e teve parte de seus ativos congelados pelo FGC.
Impacto e questionamentos em aberto
A divulgação do empréstimo pode intensificar o escrutínio sobre a saúde financeira da BeFly e sua relação com o Banco Master, que tenta renegociar dívidas com credores e manter operações sob a supervisão do Banco Central. O liquidante não detalhou as taxas de juros pactuadas nem as garantias oferecidas pela Belvitur, lacunas que limitam a avaliação do risco da operação e dificultam a análise de possíveis conflitos de interesse.
O caso se soma a outras revelações sobre a exposição de grandes empresas ao banco. Na quarta-feira, o PIRANOT mostrou que o FGC mantém R$ 1,2 bilhão em garantias do Master, enquanto mais de 100 mil credores aguardam pagamento. A situação pode afetar a capacidade da BeFly de obter novos financiamentos no mercado.
Próximos passos
O processo de liquidação da Belvitur segue em andamento, e a íntegra do relatório do liquidante ainda não foi tornada pública. Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública de Banco Master, BeFly ou Marcelo Cohen sobre o empréstimo.
O Banco Central e o FGC monitoram a situação do Banco Master, mas ainda não se pronunciaram sobre o empréstimo específico. O liquidante deve apresentar novos relatórios à Justiça nos próximos meses, detalhando outros ativos e passivos da Belvitur. A expectativa é que novos documentos esclareçam as condições do crédito e a real exposição financeira entre as partes.











