Os contratos futuros de ouro encerraram esta quinta-feira (16) em queda de 1,47%, a US$ 3.992,10 por onça-troy, na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange. É a primeira vez em 2026 que o metal fecha abaixo da marca psicologicamente relevante de US$ 4 mil.
A pressão veio da alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e do fortalecimento do dólar no exterior. O movimento ofuscou as leituras de inflação mais fracas nos Estados Unidos e afastou as apostas de uma elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed) no curto prazo.
A prata também recuou: os contratos para setembro caíram 2,17%, a US$ 56,187 por onça-troy. O ouro vinha de uma sequência de perdas — na véspera, já havia recuado 0,44%, para US$ 4.051,80, após a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) americano.
Patamar sustentado por tensões e incerteza
O ouro operou acima de US$ 4 mil durante todo o primeiro semestre de 2026, sustentado por tensões geopolíticas globais e pela indefinição sobre os próximos passos do Fed. Em 30 de junho, o metal fechou perto de US$ 4.038,50, mostrando resiliência mesmo com a moeda americana em trajetória de alta — o dólar havia fechado a R$ 5,1743 em 1º de julho, conforme reportagem do PIRANOT.
Agora, a combinação de Treasuries mais atrativos e um dólar mais caro reduziu o apelo do ouro como ativo de proteção, mesmo com a inflação americana dando sinais de arrefecimento. O mercado passou a precificar uma pausa mais longa nos juros, o que tradicionalmente beneficia o metal, mas o efeito foi anulado pela força da moeda e dos rendimentos.
Efeito sobre as reservas brasileiras
A desvalorização do ouro atinge diretamente as reservas internacionais do Brasil, geridas pelo Banco Central. O BC mantém parte de seus ativos em ouro, e a queda do preço em dólar reduz o valor dessas reservas quando convertido para reais. Até o momento, porém, a autoridade monetária não divulgou dados atualizados sobre o impacto ou sobre eventuais rebalanceamentos da carteira.
O Banco Central também não se manifestou sobre a possibilidade de ajustar a composição das reservas em resposta à nova dinâmica do metal. A ausência de informações oficiais deixa em aberto a dimensão exata do efeito sobre o colchão cambial do país.
O que vem a seguir
O mercado agora volta as atenções para a próxima decisão de política monetária do Fed, em setembro, e para eventuais sinais de reversão na trajetória dos Treasuries. Qualquer indicação de que os juros podem permanecer elevados por mais tempo tende a manter a pressão sobre o ouro.
No Brasil, investidores e analistas aguardam a divulgação dos próximos dados de reservas internacionais pelo Banco Central, que podem revelar se houve movimentação relevante na posição em ouro. Até lá, o metal segue vulnerável ao vaivém do dólar e dos rendimentos americanos.











