Dois meses depois da explosão que matou duas pessoas no Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, moradores atingidos ainda convivem com casas danificadas, obras inacabadas e falta de prazo para retomar a rotina. O acidente ocorreu em 11 de maio, durante uma obra da Sabesp que atingiu uma tubulação de gás da Comgás.
A explosão danificou dezenas de imóveis, levou à interdição de casas e deixou famílias fora de suas residências. Parte dos moradores segue em hotéis ou na casa de parentes enquanto aguarda reparos estruturais e liberação para voltar com segurança.
No dia seguinte ao acidente, Sabesp e Comgás elevaram de R$ 2 mil para R$ 5 mil o auxílio emergencial oferecido às famílias atingidas, após reclamações de moradores. O valor, porém, não encerrou a disputa sobre os prejuízos: há relatos de danos que superam a ajuda inicial e de consertos que ainda não foram concluídos.
Reparos avançam sem cronograma final
A principal cobrança dos moradores é por previsibilidade. Sem um cronograma consolidado de conclusão das obras, famílias afetadas não sabem quando poderão reorganizar a vida doméstica, reabrir imóveis atingidos ou encerrar gastos extras provocados pelo deslocamento.
Sabesp e Comgás não divulgaram um balanço final com o total de imóveis totalmente recuperados, o número de residências que permanecem interditadas e o valor pago em indenizações definitivas. A ausência desses dados mantém a dimensão exata da recuperação em aberto, mesmo depois de dois meses do acidente.
O caso também expôs a vulnerabilidade de obras urbanas em áreas com redes subterrâneas de concessionárias. A explosão ocorreu quando a intervenção de saneamento atingiu a tubulação de gás, combinação que levou órgãos de fiscalização a revisar procedimentos em escavações semelhantes.
MP investiga causas e Arsesp fiscaliza obras
O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito civil para apurar as causas do acidente e as condições de segurança da obra. A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo, a Arsesp, criou uma força-tarefa para fiscalizar intervenções em áreas com tubulações de concessionárias.
As medidas podem orientar responsabilizações administrativas e eventuais sanções, além de pressionar as empresas a detalhar os reparos. Até agora, a resposta prática para os moradores continua concentrada no auxílio emergencial, nas obras em andamento e na espera por indenizações definitivas.
Enquanto não houver cronograma público de conclusão dos consertos, o retorno das famílias depende da liberação dos imóveis e da finalização dos reparos estruturais. Para quem deixou a própria casa em maio, a explosão ainda não terminou.











