O diretor de prova do Mundial de Endurance (WEC), Eduardo Freitas, relembrou nesta terça-feira (14) o acidente fatal que presenciou nas 24 Horas de Le Mans e afirmou que carregará o peso do ocorrido para sempre. “Sempre vou viver com isso”, disse Freitas em entrevista durante a etapa das 6 Horas de São Paulo, no Autódromo de Interlagos.
A declaração expõe o custo humano das decisões de segurança no automobilismo de endurance, uma das categorias mais longas e desgastantes do esporte a motor. Freitas, um dos diretores de prova mais experientes do mundo, comandou a clássica prova francesa por anos e também atuou temporariamente na Fórmula 1 em 2022.
O dirigente não detalhou o ano nem o piloto envolvido no acidente, mas a lembrança voltou à tona em um momento simbólico: o WEC realiza sua etapa brasileira em Interlagos, e a segurança segue como tema central após uma série de incidentes graves em categorias de base e em outros campeonatos. No mesmo dia, o PIRANOT noticiou a morte do ex-zagueiro Saul Muniz em um acidente com veículo elétrico na Irlanda, reforçando a recorrência de tragédias no universo esportivo.
A presença de Freitas no Brasil coincide com a consolidação do WEC no país, que recebe a prova de seis horas pelo segundo ano consecutivo. A categoria, que tem Le Mans como joia da coroa, investe em protocolos como o cockpit fechado, zonas de slow zone e barreiras de absorção de impacto, mas o fator humano permanece como o elo mais sensível da cadeia de comando.
Trajetória de um diretor de elite
Eduardo Freitas construiu uma carreira de prestígio internacional. Antes de assumir a direção de prova do WEC, foi responsável por algumas das edições mais desafiadoras das 24 Horas de Le Mans, incluindo a prova de 2013, marcada pela morte do dinamarquês Allan Simonsen. Embora Freitas não tenha confirmado se o acidente citado é o de Simonsen, a coincidência temporal e a comoção gerada na época tornam essa a hipótese mais provável entre os observadores do endurance.
O português também teve uma passagem relâmpago pela Fórmula 1 em 2022, como diretor de prova substituto, antes de retornar ao WEC. Sua experiência o coloca como uma das vozes mais autorizadas para discutir os limites entre espetáculo e proteção à vida.
O que esperar
Até o momento, a organização do WEC não emitiu comunicado oficial sobre a declaração de Freitas, e não há indicação de que o depoimento gere mudanças imediatas no regulamento da categoria. A declaração, no entanto, reacende o debate sobre a saúde mental de dirigentes e pilotos expostos a situações de risco extremo — um tema que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) tem abordado com programas de apoio psicológico, mas sem divulgação ampla de resultados.
A etapa de São Paulo prossegue com treinos e corrida no fim de semana, e Freitas seguirá no comando das operações de pista. O PIRANOT acompanha a temporada 2026 do WEC.











