O Citigroup obteve lucro líquido de US$ 5,83 bilhões no segundo trimestre de 2026, uma alta de 45% em relação ao mesmo período do ano passado, informou o banco nesta terça-feira (14). O resultado, o maior para um trimestre em uma década, foi ofuscado pela revelação de um erro operacional que quase transferiu US$ 81 trilhões para a conta de um cliente no Brasil.
A receita líquida atingiu US$ 24,77 bilhões, crescimento de 14% na comparação anual, impulsionada por todas as linhas de negócio. O lucro por ação foi de US$ 3,15, bem acima da estimativa de US$ 2,74 de analistas de mercado. As despesas operacionais somaram US$ 14,2 bilhões, e as provisões para perdas de crédito chegaram a US$ 2,5 bilhões, refletindo um ambiente de juros ainda elevados.
Apesar do desempenho robusto, o banco reconheceu que um erro manual em sua operação brasileira quase resultou na transferência de US$ 81 trilhões — valor superior ao PIB global — para uma conta de um cliente no país. O incidente foi detectado e revertido antes da efetivação, mas expôs fragilidades nos sistemas de controle da instituição, conforme reportou o Exame.
Reestruturação e recorde de receita
O resultado é o mais expressivo desde o início da reestruturação liderada pela CEO Jane Fraser, que assumiu o comando em 2021 com a promessa de simplificar o banco, vender operações de varejo internacionais e reduzir camadas de gerência. A receita de US$ 24,77 bilhões é a maior para um trimestre em pelo menos dez anos, segundo o Valor Econômico.
O crescimento foi puxado por todas as divisões, mas o banco alertou para “ventos contrários” na unidade de cartões de crédito, onde a inadimplência começa a pressionar as margens. Ainda assim, o Citigroup anunciou um programa de recompra de ações de US$ 30 bilhões, sinal de confiança na trajetória de recuperação. O resultado ocorre em um momento de valorização das marcas bancárias no Brasil, como mostrou o PIRANOT em junho.
Erro bilionário e controles no Brasil
O incidente de US$ 81 trilhões, classificado como “quase transferência”, envolveu uma conta contábil de um cliente situado no Brasil. O valor, equivalente a mais de 30 vezes o PIB dos Estados Unidos, foi inserido manualmente por um funcionário e só não foi efetivado porque sistemas automatizados de verificação identificaram a inconsistência a tempo. O banco afirmou que nenhum recurso saiu de suas contas e que o erro não gerou perda financeira.
O episódio, no entanto, reacendeu o debate sobre a robustez dos controles internos em filiais de grandes bancos globais. O Citigroup não detalhou se houve punições internas ou alterações nos sistemas de tecnologia da informação da filial brasileira após o episódio. Também não informou se contratará uma auditoria externa independente para avaliar as falhas de controle manual no país.
Próximos passos e mercado
O banco confirmou que revisou os procedimentos manuais e reforçou as camadas de verificação, mas não deu prazo para conclusão das medidas. A divulgação do erro ocorre em um momento em que o Citigroup tenta convencer investidores de que a reestruturação está no rumo certo. As ações do banco subiam 2,3% no pré-mercado em Nova York, indicando que o mercado, por ora, relevou o incidente.
Analistas avaliam que o caso pode atrair a atenção de reguladores brasileiros e americanos, especialmente se ficar comprovado que as falhas são sistêmicas. O banco não divulgou se o cliente brasileiro envolvido foi notificado ou se o episódio gerou algum impacto reputacional local. A expectativa é que a próxima teleconferência de resultados, marcada para esta quarta-feira (15), traga mais esclarecimentos sobre as medidas adotadas.











