A Lola From Rio quer transformar a identidade carioca em moeda de expansão internacional. A marca de cosméticos capilares veganos trabalha com a meta de chegar a R$ 600 milhões em receita fora do Brasil, apoiada em uma estratégia que combina rótulos em português, nomes de produtos associados ao Rio de Janeiro e presença em grandes redes de varejo.
O plano ganhou outra dimensão depois da união com a Skala Cosméticos, anunciada em 6 de junho de 2025. A combinação colocou a Lola dentro de um grupo de beleza estimado em R$ 2 bilhões, sob controle da Advent International, gestora que já comandava a Skala. Com isso, a meta internacional deixa de ser apenas uma aposta isolada da marca carioca e passa a dialogar com uma operação de escala nacional, com bases no Rio de Janeiro, em Uberaba e em São Paulo.
A cifra de R$ 600 milhões aparece como objetivo de receita com vendas fora do país, e não como faturamento já realizado. A expansão tem como vitrine inicial mercados em que a marca já busca espaço nas prateleiras, especialmente Estados Unidos e Porto Rico. A Lola From Rio ampliou presença em canais como Walmart USA, Walmart Puerto Rico e Navarro, rede farmacêutica com forte atuação no varejo latino nos EUA.
Marca vende Rio como diferencial competitivo
A aposta da Lola é que a origem brasileira funcione como diferenciação em um setor competitivo, no qual marcas disputam preço, fórmula, promessa de performance e identidade visual. A empresa chama essa linguagem de “carioquês”: uma combinação de brasilidade, humor, cores, nomes de produtos e referências ao estilo de vida do Rio.
Na prática, a estratégia preserva expressões em português em produtos de cabelo, como “creme de pentear” e “óleo reparador”, ao mesmo tempo em que apresenta a marca ao consumidor estrangeiro como uma grife brasileira de beleza. O reposicionamento para o nome Lola From Rio segue a mesma lógica: tornar a origem mais legível no exterior sem abandonar o vocabulário que diferencia a marca no Brasil.
Esse movimento ocorre em um momento em que empresas brasileiras de beleza tentam ocupar mais espaço fora do país, aproveitando o reconhecimento internacional de ativos associados ao Brasil, como cabelos cacheados e crespos, ingredientes tropicais, cosméticos veganos e comunicação de marca mais informal. A Lola tenta se encaixar nesse corredor com uma proposta mais emocional do que técnica: vender produto capilar junto com uma ideia de Rio.
Skala dá escala, mas muda o desafio
A fusão com a Skala aumenta a capacidade comercial do projeto, mas também muda o tamanho do teste. A Skala tem forte presença em produtos populares de grande volume, enquanto a Lola se consolidou em um nicho de cosméticos veganos, com comunicação mais autoral e posicionamento de maior valor percebido. A convivência das duas marcas exigirá uma arquitetura clara para evitar sobreposição em canais, preços e públicos.
Para a Advent, a lógica da combinação está na complementaridade. A Skala entrega escala industrial e capilaridade; a Lola acrescenta marca, diferenciação e potencial de internacionalização. O grupo resultante passa a disputar um espaço maior no mercado de cuidados com os cabelos, segmento em que o Brasil é um dos consumidores mais relevantes do mundo e também um exportador crescente de marcas com identidade própria.
O caminho até os R$ 600 milhões depende agora de três frentes: ampliar distribuição em redes estrangeiras, sustentar margem em mercados mais caros e preservar a identidade da Lola dentro de um grupo maior. A presença em varejistas como Walmart e Navarro dá ponto de partida comercial; a integração com a Skala dirá se o “carioquês” consegue sair do nicho e virar escala internacional.











