O Ministério Público de Paris abriu nesta terça-feira (7) investigação criminal contra a senadora paraguaia Celeste Amarilla por insultos racistas contra o atacante Kylian Mbappé após a eliminação do Paraguai na Copa do Mundo 2026.
A partida, disputada em 4 de julho nos Estados Unidos, terminou 1 a 0 com gol de pênalti de Mbappé — a mesma cobrança que eliminou o Paraguai e classificou a França para as quartas de final contra Marrocos, conforme o PIRANOT acompanhou ao vivo. Amarilla publicou nas redes sociais, logo após o apito final, mensagens com insultos racistas e xenófobos direcionados ao jogador. O PIRANOT não reproduz o conteúdo das ofensas.
Em 6 de julho, Mbappé respondeu publicamente às publicações da senadora. Amarilla, em vez de recuar, acusou o atacante de violência de gênero — um contra-ataque que transformou um episódio nas redes sociais em caso com potenciais desdobramentos diplomáticos e jurídicos entre Assunção e Paris. Entre as mensagens atribuídas à senadora, circulou a frase “Não se meta com os paraguaios, Mbappé”.
Da derrota ao processo: três dias de escalada
Derrota em 4 de julho, ofensas publicadas no mesmo dia, resposta de Mbappé em 6 de julho e investigação aberta em 7 de julho pelo Ministério Público de Paris: o processo se iniciou em menos de 72 horas após o apito final. O histórico de tensões envolvendo racismo no futebol europeu e sul-americano serve de pano de fundo para a rapidez da reação institucional francesa ao episódio.
O caso repercute no Brasil pelo paralelo histórico que circulou nas redes sociais: a prisão de Ronaldinho Gaúcho no Paraguai em 2020, citada ironicamente como contraponto às ofensas de Amarilla. Para Mbappé, um dos atletas mais acompanhados da Copa 2026 desde a fase de grupos e com a corrida por recordes em Copas em constante observação, o episódio acrescenta pressão extracampo à disputa pelo torneio.
Imunidade parlamentar coloca desafio à Justiça francesa
O nó jurídico do caso é a condição de Celeste Amarilla. A senadora exerce mandato em pleno exercício no Paraguai e é protegida pela imunidade parlamentar sob a legislação do país — proteção que, no âmbito doméstico paraguaio, impediria a persecução criminal sem a devassa do mandato pelo próprio Congresso. A questão de como o Ministério Público de Paris tratará essa condição perante sua jurisdição penal, e se o processo pode evoluir para um pedido formal de cooperação judicial que exigiria a anuência do Paraguai, ainda não foi respondida pelas autoridades de nenhuma das partes.
Amarilla não foi indiciada nem formalmente acusada. A abertura de investigação representa o início do processo apuratório, não uma acusação formal. O governo paraguaio e o Senado do país não emitiram nota pública sobre o episódio até esta publicação. A próxima etapa depende do avanço das diligências do Ministério Público francês e de um eventual pedido de cooperação judicial ao Paraguai — trâmite que, pelo status parlamentar de Amarilla, pode exigir etapas adicionais.










