Um edital de R$ 618,75 milhões vai financiar a restauração de 12,5 mil hectares de vegetação nativa na Bacia do Rio Doce, em uma das frentes ambientais mais sensíveis da reparação pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG).
A chamada pública tem como objetivo selecionar projetos voltados à recomposição de áreas degradadas, com foco na recuperação de cobertura vegetal e na proteção de ambientes associados ao rio Doce. A bacia atravessa Minas Gerais e Espírito Santo e se tornou símbolo dos danos ambientais provocados pela lama de rejeitos que atingiu comunidades, cursos d’água e áreas de preservação após o desastre de 2015.
O valor coloca o edital entre as principais iniciativas recentes de restauração ecológica vinculadas à reparação do rio Doce. A escala do projeto também impõe um desafio técnico: recuperar vegetação nativa exige planejamento de longo prazo, escolha adequada de espécies, proteção de nascentes, controle de erosão e acompanhamento para evitar que áreas reflorestadas voltem a se degradar.
Restauração entra em nova fase no Rio Doce
Quase uma década depois do rompimento da barragem, a recuperação da Bacia do Rio Doce segue como um dos maiores passivos ambientais do país. A restauração de vegetação nativa é considerada uma etapa central porque ajuda a estabilizar margens, reduzir assoreamento, recompor habitats e melhorar a capacidade de retenção de água no território.
Na prática, o edital desloca parte da reparação do campo das indenizações e acordos para a execução de obras ambientais em escala. O resultado dependerá da qualidade dos projetos selecionados, da capacidade de execução em campo e do monitoramento das áreas restauradas ao longo do tempo.
A expectativa é que os recursos financiem intervenções em trechos prioritários da bacia, com recuperação de áreas degradadas e recomposição florestal. A seleção dos projetos definirá onde as ações começarão e quais organizações ficarão responsáveis por executar a restauração.
O próximo passo é a publicação e operacionalização das regras da chamada, que devem orientar a apresentação das propostas e a escolha dos projetos responsáveis por recuperar os 12,5 mil hectares previstos.











