O governo aprovou a destinação de R$ 7,37 bilhões do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para financiar a safra 2026/27, com juros de 11,5% ao ano nas principais linhas de crédito para produtores e cooperativas do setor.
A decisão reforça o caixa do principal instrumento público de financiamento da cafeicultura brasileira em um momento de pressão sobre o custo de produção. O dinheiro poderá ser usado em operações de custeio, comercialização e recuperação de cafezais, além da linha de Financiamento para Aquisição de Café (FAC), voltada à formação de estoques.
O valor supera os R$ 7,18 bilhões destinados à safra anterior e marca o maior orçamento já reservado ao fundo. Em 2024/25, o Funcafé havia recebido R$ 6,88 bilhões. A expansão nominal é pequena, mas ganha peso porque chega em um ano de disputa por crédito rural mais barato e de críticas de entidades do agro ao aperto nas linhas de custeio do Plano Safra.
Juro menor pesa no custo da próxima safra
As linhas de custeio, comercialização e recuperação de cafezais terão taxa de 11,5% ao ano. Na prática, é esse custo financeiro que entra na conta do produtor na compra de insumos, no manejo das lavouras, na manutenção das áreas produtivas e na decisão de segurar ou vender parte da produção.
O FAC terá juros de 13% ao ano para capital de giro. Essa linha atende operações ligadas à aquisição de café e ajuda a organizar estoques, uma variável importante para cooperativas, indústrias e agentes de comercialização em períodos de oscilação de preços.
Dentro da programação do fundo, R$ 2,7 bilhões foram reservados para comercialização. O FAC contará com R$ 1,7 bilhão. O restante financiará as demais finalidades previstas para o setor, como custeio e recuperação de cafezais.
Por que o Funcafé importa para o produtor
O Funcafé é a principal fonte pública de crédito direcionado à cadeia do café. O fundo é abastecido por recursos vinculados à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) incidente sobre a comercialização do produto e opera por meio de agentes financeiros autorizados.
Para o produtor, a diferença entre contratar crédito pelo fundo ou buscar dinheiro em linhas mais caras pode definir a margem da safra. A taxa menor reduz o custo de carregamento da produção e dá fôlego para despesas que costumam pressionar o orçamento, como fertilizantes, defensivos, mão de obra, renovação de lavouras e armazenagem.
O reforço também tem efeito sobre a comercialização. Com crédito disponível, produtores e cooperativas ganham mais margem para administrar o momento da venda, em vez de liquidar a produção imediatamente para fazer caixa. Em uma cadeia exportadora e sujeita a variações de preço, câmbio e clima, essa capacidade de planejamento costuma ser decisiva.
Crédito chega em ano de pressão no campo
A ampliação do Funcafé ocorre depois de um Plano Safra marcado por cobranças do setor produtivo. Entidades do agro criticaram a redução de recursos para custeio em relação ao ciclo anterior, justamente a modalidade mais usada para bancar a operação diária das propriedades.
No café, a pressão é ainda mais sensível porque o Brasil lidera a produção e a exportação mundial do grão. Qualquer mudança nas condições de financiamento afeta não apenas o caixa dos produtores, mas também a oferta, a formação de estoques e a competitividade do país no mercado externo.
Com o orçamento aprovado, a próxima etapa é a contratação das operações pelos agentes financeiros habilitados. É por meio desses bancos e cooperativas de crédito que os recursos chegam ao produtor, dentro das condições definidas para cada linha do Funcafé.










