A colheita de café na área acompanhada pela Cooxupé chegou a 24,9% da safra até 28 de junho, no menor avanço para o período desde 2018. O ritmo está 17,4 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo intervalo de 2025 e expõe o impacto das chuvas de junho sobre uma das regiões mais importantes do café arábica no país.
O atraso se concentra em áreas produtoras de Minas Gerais, especialmente nas Matas de Minas e no Cerrado Mineiro, onde a umidade atrapalhou tanto a entrada de máquinas nas lavouras quanto a secagem dos grãos nos terreiros. Na última semana do levantamento, a colheita avançou 4,9 pontos percentuais, ganho insuficiente para recompor o calendário.
A Cooxupé é a maior cooperativa de café do mundo e funciona como termômetro relevante para o mercado brasileiro. Quando a colheita anda mais devagar em sua área de influência, a leitura dos compradores muda: cresce o risco de menor disponibilidade imediata de café, de lotes com qualidade mais irregular e de maior disputa pelo grão no segundo semestre.
Por que o atraso pesa mais nesta safra
O problema climático ganha força porque a safra 2026 ocorre em um ano de menor produção dentro do ciclo bienal do café. Nesses períodos, a lavoura já parte de um potencial mais limitado, e eventos como chuva fora de época tendem a ter efeito maior sobre o ritmo da colheita e sobre a formação de preço.
No campo, a janela de tempo importa. O café precisa ser retirado no ponto correto e secar em condições adequadas para preservar qualidade. Com chuva e umidade elevada, o produtor pode atrasar a colheita para evitar perdas, mas também corre o risco de colher mais tarde do que o ideal. Esse equilíbrio é o que mantém o mercado em alerta.
Mercado observa reflexo nos preços
O Brasil é peça central na oferta global de café, e Minas Gerais concentra parte decisiva da produção nacional de arábica. Por isso, um atraso em áreas mineiras acompanhadas pela Cooxupé não fica restrito ao produtor: ele entra no cálculo de torrefadoras, exportadores e compradores que precisam garantir abastecimento nos próximos meses.
A pressão ainda não significa repasse automático ao consumidor, mas reduz o espaço para alívio no varejo. Se o clima continuar dificultando a retirada e a secagem dos grãos, a oferta disponível pode chegar ao mercado em ritmo menor justamente no período em que contratos e embarques do segundo semestre começam a ser ajustados.
O ponto decisivo agora é o comportamento do clima nas próximas semanas. Com tempo mais firme, a colheita pode ganhar tração e reduzir parte do atraso. Se a umidade persistir, a safra da Cooxupé tende a seguir como um dos principais focos de tensão para o preço do café no Brasil e no mercado internacional.









