quinta-feira, julho 2
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Economia

Aramco amplia oferta após reabrir Ras Tanura e pressiona Brent a US$ 70

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • A Saudi Aramco retomou os carregamentos de petróleo no terminal de Ras Tanura e passou a vender parte da produção no mercado à vista, segundo informações de fontes do setor.
  • Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que as exportações de óleo bruto representaram cerca de 8% do total embarcado em 2025.
  • Próximos passos e o que ainda não se sabe Após a retomada, a Aramco não divulgou comunicado oficial confirmando volumes exatos de exportação diária nem detalhando a proporção das vendas spot.
  • A trégua geopolítica aliviou os temores de desabastecimento e desencadeou a queda do Brent, que passou de US$ 120 em março para os atuais US$ 70.
  • Em junho, o PIRANOT mostrou que o Rio de Janeiro, maior produtor nacional, elevou sua extração em 13% , mas com reservas em declínio, o que torna o país mais sensível a oscilações externas.

A Saudi Aramco voltou a embarcar petróleo pelo terminal de Ras Tanura, na Arábia Saudita, e passou a colocar parte das cargas no mercado à vista. A mudança aumenta a oferta imediata de petróleo para compradores asiáticos e reforça a pressão de baixa sobre o Brent, que negocia perto de US$ 70 depois de ter se aproximado de US$ 120 em março.

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Ras Tanura é um dos pontos mais importantes do comércio mundial de óleo cru. A retomada dos carregamentos ocorre após a reabertura do Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula parte relevante do petróleo exportado pelo Golfo Pérsico. O fluxo havia sido afetado por quase quatro meses de tensão entre Estados Unidos e Irã.

Informações divulgadas no mercado indicam que a companhia já colocou cerca de 10 milhões de barris em cinco superpetroleiros desde 26 de junho. Antes da interrupção, as exportações sauditas superavam 7 milhões de barris por dia; durante o bloqueio, recuaram para perto de 4 milhões de barris diários.

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Venda à vista muda o equilíbrio do mercado

A opção por vender mais petróleo no mercado spot, em vez de concentrar os volumes em contratos de longo prazo, dá velocidade à recomposição da oferta. Na prática, a Aramco ganha flexibilidade para disputar compradores com entrega mais rápida, especialmente na Ásia, onde refinarias acompanham de perto a queda dos preços internacionais.

O movimento também aumenta a pressão competitiva sobre outros grandes produtores, como Rússia e Estados Unidos. Com mais barris sauditas disponíveis no curto prazo, compradores ganham poder de negociação, e o mercado passa a testar se o petróleo abaixo de US$ 70 reflete apenas uma acomodação temporária ou uma mudança mais duradoura no equilíbrio entre oferta e demanda.

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Ormuz reduz prêmio de risco

A reabertura do Estreito de Ormuz reduz o prêmio de risco que sustentou a disparada do petróleo nos últimos meses. Quando a passagem fica ameaçada, traders embutem no preço o temor de desabastecimento, atrasos logísticos e encarecimento do frete. Com a circulação retomada, esse componente perde força e abre espaço para uma correção mais ampla das cotações.

O acordo provisório entre Estados Unidos e Irã não elimina a instabilidade no Oriente Médio, mas muda o humor de curto prazo. A volta dos embarques por Ras Tanura sinaliza que o principal exportador da região consegue reconstruir parte do fluxo perdido e atender refinarias que haviam buscado alternativas durante a interrupção.

O que muda para o Brasil

Para o Brasil, petróleo mais barato tem efeitos contraditórios. De um lado, alivia a pressão sobre combustíveis, fretes e inflação, especialmente se a queda internacional chegar às refinarias e às distribuidoras. Gasolina e diesel mais comportados ajudam a reduzir custos em cadeias como transporte, alimentos e aviação.

De outro lado, a queda do Brent reduz a receita potencial de exportadores de óleo bruto e pode afetar empresas do setor, incluindo a Petrobras. Como o país é produtor e exportador relevante, o benefício para consumidores convive com uma perda de margem para companhias expostas ao preço internacional do barril.

No mercado financeiro, a leitura tende a ser setorial. Companhias aéreas e transportadoras costumam se beneficiar de custos menores de combustível, enquanto petroleiras sentem a redução do preço de referência. O efeito final sobre a inflação brasileira dependerá da duração do Brent perto de US$ 70, do câmbio e da política comercial da Petrobras.

O próximo dado decisivo será o volume efetivo de exportações sauditas em julho. Se Ras Tanura mantiver embarques elevados e a venda à vista ganhar escala, o mercado global terá mais petróleo disponível no curto prazo, o que tende a manter o Brent sob pressão e a reforçar a expectativa de combustíveis menos caros nas próximas semanas.


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