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Economia

Brasil tem 17,7 milhões sem internet; exclusão pesa sobre idosos e baixa renda

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Onde estão os desconectados Os 17,7 milhões de brasileiros sem internet representam 9,5% da população com 10 anos ou mais, estimada em 186,4 milhões.
  • O Brasil ainda tem 17,7 milhões de pessoas com 10 anos ou mais sem acesso à internet, apesar de 90,5% da população nessa faixa etária já estar conectada.
  • O IBGE não divulgou recorte estadual consolidado, o que impede identificar se estados como Maranhão, Piauí ou Bahia concentram os maiores percentuais de exclusão.
  • Em 2016, apenas 33,8% da população rural usava internet, contra 71,3% nas áreas urbanas.
  • A concentração dos desconectados está entre idosos com 60 anos ou mais e pessoas de baixa renda, grupos que dependem mais intensamente de serviços presenciais do Estado.

O Brasil chegou a 168,7 milhões de usuários de internet entre pessoas com 10 anos ou mais, mas ainda mantém 17,7 milhões de brasileiros fora da rede. O contingente representa 9,5% dessa população e mostra que a expansão da conectividade, embora ampla, ainda não alcança grupos mais vulneráveis.

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Os números são da PNAD Contínua TIC 2025, divulgada nesta quinta-feira (2) pelo IBGE. A pesquisa indica que 90,5% da população nessa faixa etária usa internet, em um universo estimado em 186,4 milhões de pessoas. O resultado aproxima o país da universalização formal do acesso, mas deixa à mostra uma exclusão que pesa mais sobre idosos, moradores de áreas rurais e famílias de menor renda.

A diferença importa porque estar desconectado deixou de significar apenas não usar redes sociais ou aplicativos de mensagens. Hoje, internet é porta de entrada para banco, vagas de emprego, serviços públicos, educação, telemedicina, benefícios sociais e consumo. Quem fica offline tende a depender de atendimento presencial, deslocamentos mais longos e redes informais para resolver tarefas que migraram para plataformas digitais.

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Avanço nacional não elimina o corte social

A conectividade avançou de forma expressiva na última década. Em 2016, o uso de internet ainda marcava uma distância forte entre campo e cidade: 33,8% da população rural acessava a rede, ante 71,3% nas áreas urbanas. A diferença caiu desde então, mas o acesso segue mais concentrado em áreas urbanas, entre famílias de renda mais alta e em grupos com maior escolaridade.

Esse corte ajuda a explicar por que o país pode ter, ao mesmo tempo, uma taxa nacional de acesso acima de 90% e quase 18 milhões de pessoas desconectadas. A média brasileira melhora, mas a exclusão remanescente se torna mais concentrada — e, por isso, mais difícil de enfrentar apenas com a expansão natural do mercado de telefonia e banda larga.

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Entre os grupos mais afetados estão pessoas com 60 anos ou mais e brasileiros de baixa renda, justamente parcelas da população que dependem com frequência de serviços públicos presenciais, atendimento bancário básico e canais de assistência social. A barreira não é apenas a existência de sinal ou aparelho: envolve custo, letramento digital, confiança no uso de aplicativos e capacidade de resolver problemas sem ajuda.

Celular ainda define quem entra na rede

O celular permanece como a principal porta de entrada para a internet no país. Mesmo entre os conectados, 10,2% ainda não têm telefone móvel pessoal, o que limita autonomia para estudar, trabalhar, acessar bancos digitais ou manter contato com serviços públicos sem depender de aparelhos de terceiros.

A pesquisa também mostra um recuo específico entre crianças de 10 a 13 anos. um adolescente faixa, a posse de celular caiu de 56,7% em 2024 para 55,2% em 2025, movimento que contrasta com a expansão geral do acesso. O dado sugere uma combinação de fatores: custo dos aparelhos, decisões familiares sobre uso precoce de telas e maior controle sobre a presença digital de crianças.

Para adultos, porém, a falta de acesso tem efeito econômico direto. Uma pessoa sem internet encontra mais dificuldade para comparar preços, usar serviços financeiros, consultar benefícios, acompanhar processos seletivos e enviar currículos. A desconexão, nesse sentido, funciona como uma barreira adicional para quem já enfrenta renda menor, distância física dos centros urbanos ou baixa oferta de serviços presenciais.

O desafio agora é chegar aos últimos desconectados

A etapa mais difícil da inclusão digital costuma ser justamente a final. Levar acesso a quem ainda está fora exige mais do que ampliar cobertura: envolve baratear planos e equipamentos, melhorar infraestrutura em áreas remotas, criar canais simples de atendimento e ensinar o uso seguro de ferramentas digitais.

O retrato do IBGE indica que a conectividade já virou infraestrutura básica da economia brasileira. O próximo passo é reduzir a distância entre quem usa a internet como instrumento cotidiano de trabalho, renda e cidadania e quem ainda depende de alternativas presenciais para acessar serviços essenciais.


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