quarta-feira, julho 1
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Urgência foi aprovada por 293 a 158; texto relatado por Tabata Amaral ainda precisa passar pelo mérito antes de ir à sanção.

Câmara acelera projeto que torna misoginia crime e equipara prática ao racismo

Urgência foi aprovada por 293 a 158; texto relatado por Tabata Amaral ainda precisa passar pelo mérito antes de ir à sanção.

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Regime de urgência acelera a tramitação, mas não altera a lei por si só.
  • Mérito ainda terá de ser votado pelo Plenário da Câmara.
  • Projeto veio do Senado e foi relatado por Tabata Amaral na Câmara.
  • Parecer prevê pena de dois a cinco anos para atos de misoginia.
  • Data da votação final e texto que irá a plenário ainda não foram definidos.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (1º), por 293 votos a 158, o regime de urgência para o Projeto de Lei 896/23, que criminaliza a misoginia. A decisão encurta o caminho da proposta no Congresso, mas ainda não transforma o texto em lei.

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Com a urgência, o projeto pode ser levado diretamente ao Plenário da Câmara, sem cumprir todas as etapas ordinárias de tramitação nas comissões. O mérito, porém, ainda precisa ser votado pelos deputados. Só depois dessa aprovação é que a proposta poderá seguir para sanção presidencial, caso não sofra mudanças que obriguem nova análise do Senado.

O projeto veio do Senado e ganhou força na Câmara após parecer relatado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), aprovado em junho. A versão em discussão tipifica atos de misoginia como crime de discriminação, com pena prevista de dois a cinco anos.

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O ponto de maior impacto jurídico é a equiparação da misoginia ao racismo. Na prática, isso pode tornar a conduta inafiançável e imprescritível, além de alterar a forma como casos de discriminação contra mulheres são registrados, investigados, denunciados e julgados.

Urgência antecipa disputa sobre o conteúdo

O placar deu vantagem folgada aos defensores da tramitação acelerada, mas os 158 votos contrários mostram que a votação do mérito não será apenas protocolar. A urgência aprova o rito; a disputa principal ainda será sobre o alcance penal da proposta e sobre os efeitos de equiparar a misoginia ao racismo.

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A discussão ocorre em meio ao avanço de propostas voltadas ao enfrentamento da violência e da discriminação contra mulheres. Se virar lei, o novo enquadramento poderá atingir desde o registro de ocorrências em delegacias até a atuação do Ministério Público, da Defensoria, da advocacia e do Judiciário em processos criminais.

Para que produza efeitos, o texto ainda precisa ser aprovado no mérito pelo Plenário da Câmara. Se os deputados mantiverem a versão vinda do Senado sem alteração substancial, a proposta seguirá para sanção. Se houver mudanças relevantes, o projeto poderá voltar aos senadores antes de chegar ao Executivo.

Até essa etapa, a decisão desta quarta-feira não cria um novo crime. Ela coloca o projeto em ritmo mais rápido e abre a fase decisiva da negociação política sobre o texto que poderá entrar no Código Penal e na legislação antidiscriminatória.


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