quarta-feira, julho 1
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Economia

IBGE mede impacto das enchentes no RS com só 18% das entrevistas concluídas

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • A soma de 271,4 mil imóveis equivale a cerca de 7% do total de domicílios do Rio Grande do Sul, de acordo com estimativas do próprio IBGE.
  • O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional utiliza os dados da PEERS para calibrar a liberação de recursos do programa de reconstrução habitacional, orçado em R$ 4,2 bilhões para 2026.
  • O dado mais sensível, porém, é que apenas 18% das residências sorteadas na amostra tiveram entrevistas concluídas até o momento da divulgação.
  • A Defesa Civil do Rio Grande do Sul também usa os indicadores para priorizar a destinação de cestas básicas e abrigos temporários.
  • Entre os domicílios onde a entrevista foi concluída, a maioria reportou que pelo menos um morador deixou de trabalhar por mais de 30 dias em razão da catástrofe.

O IBGE divulgou nesta quarta-feira (1º) os primeiros resultados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes no Rio Grande do Sul, criada para medir os efeitos da tragédia de maio de 2024 sobre moradia, trabalho, estudo, renda e deslocamento. O retrato inicial é severo: 271,4 mil domicílios foram destruídos ou sofreram danos graves, e 6,3 milhões de pessoas foram afetadas direta ou indiretamente pelas cheias.

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O próprio estágio da coleta, porém, impõe limite à leitura dos números. Até a divulgação, apenas 18% dos domicílios sorteados na amostra tinham entrevistas concluídas. A pesquisa é experimental, classificação usada pelo instituto para estatísticas em desenvolvimento, sujeitas a ajustes de método e de divulgação.

Na divisão dos danos à moradia, o IBGE estima 81,2 mil residências totalmente destruídas e 190,2 mil muito danificadas. Somadas, elas representam 271,4 mil domicílios atingidos em grau elevado, uma dimensão que ajuda a explicar por que a reconstrução habitacional segue como um dos pontos mais sensíveis da resposta pública às enchentes.

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Pesquisa cobre 133 municípios atingidos

A PEERS abrange 133 municípios gaúchos atingidos pela catástrofe. O desenho da pesquisa busca captar não apenas a perda material das casas, mas também as consequências na rotina das famílias, como interrupção de trabalho, afastamento de estudos, deslocamento forçado e dificuldade de acesso a serviços depois da inundação.

Os resultados iniciais indicam que os efeitos extrapolaram as áreas diretamente alagadas. Ao estimar 6,3 milhões de pessoas afetadas, o IBGE inclui impactos indiretos, como perda de renda, mudança temporária de residência, bloqueio de deslocamentos e alteração no acesso a serviços essenciais.

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Números ajudam a dimensionar a reconstrução

A pesquisa chega em um momento em que governos e municípios ainda tentam dimensionar a demanda por moradia, reparos urbanos, assistência social e recomposição de renda no estado. Mesmo parcial, o levantamento dá uma base padronizada para comparar áreas atingidas e organizar prioridades de atendimento.

O próximo passo do IBGE é ampliar a coleta e atualizar os resultados conforme novas entrevistas forem concluídas. Até lá, os dados já divulgados funcionam como um retrato inicial da escala da destruição: centenas de milhares de casas comprometidas e mais da metade da população gaúcha alcançada, em algum grau, pela maior crise climática recente do estado.


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