O fluxo cambial brasileiro voltou ao terreno negativo na semana de 22 a 26 de junho, com saída líquida de US$ 1,028 bilhão, mostram dados semanais do Banco Central divulgados nesta quarta-feira (1º). O resultado interrompe uma sequência recente de entradas e reduz parte da folga acumulada no mês.
A virada veio da conta financeira, que reúne operações como investimentos, empréstimos, remessas e aplicações em carteira. Por esse canal, saíram US$ 2,571 bilhões no período. O comércio exterior, por outro lado, continuou no azul e trouxe US$ 1,543 bilhão, o que impediu um saldo semanal mais negativo.
O contraste com a semana anterior foi forte. Entre 15 e 19 de junho, o país havia registrado entrada líquida de US$ 4,066 bilhões. Na semana de 8 a 12 de junho, o fluxo também tinha sido positivo, em US$ 1,542 bilhão. A saída no fim do mês, portanto, não apaga o saldo acumulado, mas mostra que a conta financeira segue como o ponto mais volátil da estatística.
Comércio exterior segura o mês
Mesmo com a saída semanal, junho ainda acumulava entrada líquida de US$ 7,168 bilhões até o dia 26. A sustentação veio quase toda das operações comerciais: o canal ligado a exportações e importações somava superávit de US$ 8,241 bilhões no mês, enquanto a conta financeira acumulava déficit de US$ 1,073 bilhão.
Esse desenho importa porque o fluxo cambial ajuda a medir a oferta de dólares no país. Quando entram mais dólares do que saem, há alívio sobre o câmbio; quando o movimento se inverte, aumenta a pressão sobre o real. A transmissão para o consumidor não é automática, mas passa por preços de importados, combustíveis, insumos industriais e expectativas de inflação.
Saldo de 2026 continua confortável
No acumulado de 2026, o fluxo cambial segue positivo em US$ 21,042 bilhões. A conta comercial soma entrada líquida de US$ 32,398 bilhões no ano, volume suficiente para compensar a saída de US$ 11,356 bilhões pela conta financeira.
O ponto de atenção está justamente nessa dependência. A estatística mostra que o Brasil continua recebendo dólares pelo comércio exterior, mas também revela saídas relevantes pelo lado financeiro. Em maio, o Banco Central já havia registrado retirada de US$ 1,4 bilhão nessa conta, sinal de que o superávit comercial tem sido decisivo para manter o fluxo total no azul.
O próximo dado consolidado de junho vai indicar o tamanho final dessa folga no mês. Por ora, o saldo anual permanece positivo, mas a última semana reforça que a estabilidade do fluxo em 2026 depende da capacidade das exportações de compensar novas retiradas financeiras.











