quarta-feira, julho 1
MERCADO
IBOVESPA 171.729 pts▼ 0,85%DOW JONES 52.488 pts▲ 0,59%NASDAQ 26.139 pts▲ 1,24%S&P 500 7.505 pts▲ 0,87%DÓLAR R$ 5,21▲ 0,53%EURO R$ 5,93▲ 0,30%BITCOIN R$ 311.624▲ 3,08%ETHEREUM R$ 8.393▲ 3,23%SELIC 14,25%CDI 14,15%IPCA 12M 4,72%
Publicidade
Economia

Governo tenta conter renegociação rural de até R$ 800 bi na Câmara

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • O Ministério da Fazenda, sob comando de Dario Durigan, prepara uma contraproposta com critérios mais rígidos de elegibilidade e descontos menores, segundo fontes da pasta.
  • No mesmo dia, a Câmara avançou com a aprovação de um subsídio de R$ 12 por tonelada para produtores de cana do Nordeste, conforme revelou o PIRANOT .
  • O valor de R$ 610 bilhões foi citado pelo governo como meta para o novo Plano Safra, mas ainda não foi oficializado por portaria do Ministério da Fazenda.
  • A negociação ocorre enquanto o Plano Safra 2026/27, orçado em R$ 610 bilhões, aguarda lançamento oficial.
  • O embate entre Fazenda e Congresso O governo resiste à proposta aprovada no Senado por considerar que ela pode inviabilizar o Plano Safra.

A Câmara dos Deputados retomou nesta quarta-feira (1º) a negociação do projeto que renegocia dívidas de produtores rurais, mas a votação deve ficar travada até o governo apresentar uma versão alternativa ao texto aprovado pelo Senado. A proposta virou um dos principais focos de tensão entre a bancada ruralista e a equipe econômica, por envolver um universo de débitos estimado em até R$ 800 bilhões.

Publicidade

O presidente da Câmara, Hugo Motta, avisou a líderes partidários que não pretende levar adiante uma proposta com potencial de estourar a conta fiscal. Nos bastidores do Congresso, o projeto passou a ser tratado como uma “pauta-bomba” porque amplia descontos e prazos para produtores endividados em um momento em que o governo tenta segurar despesas e preservar o arcabouço fiscal.

O PL 5122/23 foi aprovado pelo Senado em 10 de junho e voltou à Câmara depois de mudanças feitas pelos senadores. O relator, deputado Afonso Hamm, tenta costurar um acordo entre parlamentares, representantes do agronegócio e a Fazenda. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo apresentará uma contraproposta nos próximos dias, após conversas com o Congresso.

Publicidade

Por que a conta preocupa a Fazenda

O número de até R$ 800 bilhões não representa, por si só, gasto imediato para o Tesouro. Ele se refere ao volume potencial de dívidas que poderiam ser alcançadas pelas regras de renegociação. O impacto efetivo dependerá de quem poderá aderir ao programa, do tamanho dos descontos, dos prazos de pagamento e de eventuais subsídios embutidos na operação.

É exatamente nesse ponto que está o impasse. O setor rural pressiona por uma solução ampla para produtores afetados por quebras de safra, juros altos e dificuldade de acesso ao crédito. A equipe econômica, por outro lado, quer limitar o alcance da renegociação para evitar que o alívio ao campo se transforme em uma despesa difícil de acomodar no Orçamento.

Publicidade

A preocupação do governo também envolve o Plano Safra 2026/27, que tem uma meta de R$ 610 bilhões. O programa é a principal fonte de crédito subsidiado para custeio, investimento e comercialização da produção agropecuária. Uma renegociação muito ampla pode disputar espaço fiscal com novas linhas de financiamento rural.

Relator busca acordo, mas texto ainda divide Câmara e governo

Afonso Hamm defende que a Câmara construa uma saída negociada, sem simplesmente derrubar o texto do Senado nem aprovar uma versão rejeitada pela Fazenda. A bancada ruralista cobra previsibilidade para produtores que acumulam dívidas e querem voltar a tomar crédito. Já a equipe econômica tenta impor critérios mais estreitos de adesão e descontos menores.

O projeto chega à Câmara em um ambiente de forte pressão setorial sobre o caixa público. No mesmo período, deputados avançaram com medidas de apoio a segmentos específicos do agronegócio, como o subsídio de R$ 12 por tonelada para produtores de cana do Nordeste. Para a Fazenda, a soma dessas iniciativas aumenta o risco de novas despesas sem compensação clara.

Na prática, a Câmara tem três caminhos: aprovar o texto que veio do Senado, alterar a proposta e devolvê-la aos senadores ou segurar a votação até que a contraproposta do governo seja incorporada ao parecer. A posição de Motta torna mais provável uma negociação antes da análise em plenário.

Próximo passo é a contraproposta do governo

A Fazenda deve apresentar uma alternativa com regras mais restritivas para reduzir o impacto fiscal e tentar preservar o lançamento do Plano Safra. A votação na Câmara ficará condicionada ao entendimento entre governo, relator e líderes partidários.

Se houver acordo, o novo texto pode seguir ao plenário ainda em julho. Se a Câmara modificar o projeto aprovado no Senado, a proposta voltará para nova análise dos senadores antes de seguir para sanção. Até lá, produtores rurais endividados continuam à espera das condições finais de desconto, prazo e acesso à renegociação.


Publicidade