A Petrobras reduziu em 14,46%, em média, o preço do querosene de aviação vendido às distribuidoras em suas refinarias a partir desta quarta-feira (1º). É o segundo corte seguido no combustível usado pelas companhias aéreas, depois da baixa de 14,2% anunciada para junho.
A decisão ocorre em meio ao recuo das cotações internacionais do petróleo, referência central para a política de preços da estatal. O QAV acompanha de perto a variação do mercado externo e do câmbio, o que torna o combustível um dos itens mais sensíveis da planilha das empresas aéreas.
O alívio chega a um setor em que combustível pesa de forma decisiva. O querosene de aviação responde por cerca de 45% dos custos operacionais da aviação comercial, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas. Por isso, uma queda de dois dígitos nas refinarias melhora a pressão sobre as margens das companhias, ainda que não produza efeito imediato e automático no preço das passagens.
Corte ajuda as aéreas, mas não define sozinho a tarifa
A redução do QAV não significa, por si só, passagem mais barata. O bilhete aéreo combina custo do combustível, ocupação dos voos, antecedência da compra, sazonalidade, concorrência na rota, custos trabalhistas, manutenção, arrendamento de aeronaves e estratégia comercial de cada empresa.
Na prática, a baixa do combustível dá fôlego às companhias para recompor margens ou sustentar promoções em rotas mais disputadas. O repasse ao consumidor, quando ocorre, tende a aparecer de forma desigual: primeiro nos trechos com maior concorrência e maior oferta de assentos, não necessariamente nas ligações regionais, onde há menos operadores e menor escala.
Malha regional sente primeiro a pressão do combustível
O custo do combustível tem impacto mais duro fora dos grandes aeroportos. Em rotas regionais, aeronaves menores, menor demanda e menor frequência reduzem a margem para absorver altas do QAV. Quando o custo sobe, as empresas tendem a cortar frequências, trocar aviões ou suspender ligações de menor rentabilidade.
Em Minas Gerais, o encarecimento da aviação já vinha sendo associado à perda de movimento em aeroportos do interior, com redução de voos e de assentos disponíveis. A queda anunciada pela Petrobras pode conter parte dessa pressão, mas a recomposição da oferta depende de planejamento de malha, ocupação das aeronaves e expectativa de demanda nos próximos meses.
Por que a Petrobras mexe no QAV agora
O querosene de aviação é vendido pela Petrobras às distribuidoras, que depois abastecem os aeroportos e atendem as companhias aéreas. A estatal ajusta o preço conforme as condições de mercado, especialmente a cotação internacional do petróleo e de seus derivados.
A sequência de cortes em junho e julho mostra que a queda recente do petróleo abriu espaço para reduzir o preço de um insumo que vinha pressionando o setor. O efeito, porém, percorre uma cadeia longa: sai da refinaria, passa pelas distribuidoras, chega aos aeroportos e só depois entra na decisão comercial das companhias.
Para o passageiro, o sinal mais concreto virá das tarifas praticadas nas próximas semanas, sobretudo nas rotas com maior disputa entre empresas. Para as aéreas, o corte já reduz a pressão sobre o principal item de custo e pode ajudar a preservar voos em mercados onde a conta estava mais apertada.











