O dólar à vista fechou em alta de 0,13% nesta segunda-feira (29), cotado a R$ 5,1743, em uma sessão de menor liquidez e sem direção única no mercado doméstico. A moeda americana oscilou entre R$ 5,1553 e R$ 5,1859, uma amplitude de R$ 0,0306 ao longo do pregão.
O avanço mantém o câmbio perto do teto observado nas últimas semanas e consolida a pressão vista desde maio. Depois de subir 1,82% no mês anterior, o dólar acumulava valorização de 2,61% em junho até o fechamento do dia 29. No pregão seguinte, em 30 de junho, a moeda recuou para R$ 5,16, queda de 0,23%, mas permaneceu no intervalo recente entre R$ 5,14 e R$ 5,20.
Câmbio segue pressionado desde maio
A alta recente reflete uma combinação de cautela externa e busca por proteção em dólar. Em 26 de junho, a cotação chegou a R$ 5,2020, o maior nível desde março, antes de aliviar parcialmente nos pregões seguintes. Ainda assim, o real segue sem recuperar de forma consistente as perdas acumuladas no bimestre.
Para empresas e consumidores, o patamar de R$ 5,17 encarece produtos e componentes importados e afeta cadeias que dependem de insumos cotados em moeda estrangeira, como máquinas, fertilizantes, combustíveis e bens industriais. Exportadores tendem a ganhar competitividade em reais quando a moeda americana sobe, mas o benefício depende de custos, hedge e contratos já fechados.
Juros nos Estados Unidos ditam o humor
O principal vetor para o câmbio continua vindo dos Estados Unidos. Investidores acompanham dados de emprego e sinalizações do Federal Reserve em busca de pistas sobre quando os juros americanos poderão cair. Taxas elevadas por mais tempo nos EUA tornam o dólar mais atraente globalmente e reduzem o apetite por moedas de países emergentes, como o real.
Esse cenário também pesa sobre as expectativas para a política monetária brasileira. Um dólar mais forte pode pressionar preços de itens importados e complicar a avaliação do Banco Central sobre o ritmo de juros no Brasil, sobretudo se a alta do câmbio se mostrar persistente.
Próximas referências do mercado
A agenda dos próximos dias deve concentrar a atenção no mercado de trabalho americano, em declarações do presidente do Fed, Jerome Powell, e na ata da autoridade monetária dos EUA, prevista para 2 de julho. No Brasil, o relatório Focus de 6 de julho atualizará as projeções para câmbio, inflação e juros.
Até esses sinais ficarem mais claros, a cotação segue balizada pela faixa recente: abaixo de R$ 5,20, mas ainda distante dos níveis vistos antes da sequência de alta iniciada em maio.










