A Justiça federal dos Estados Unidos condenou o magnata chinês Guo Wengui a 30 anos de prisão por comandar um esquema de fraude que captou cerca de US$ 1 bilhão de investidores. A sentença foi dada nesta segunda-feira (29), em Manhattan, pela juíza Analisa Torres.
Além da pena de prisão, o tribunal determinou o confisco de US$ 889 milhões em bens e ativos ligados ao caso. Guo, também conhecido como Miles Guo, havia sido considerado culpado por um júri federal em 2024 por crimes que incluíram fraude, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Para os promotores federais, o empresário transformou a imagem de opositor do Partido Comunista Chinês em ferramenta de captação. Exilado nos Estados Unidos e crítico do governo de Pequim, ele atraiu seguidores, vendeu a ideia de negócios ligados a sua rede política e convenceu investidores a colocar dinheiro em projetos que, segundo a acusação, sustentavam uma fraude bilionária.
Da fuga da China à base de apoiadores nos EUA
Guo deixou a China após ser acusado de corrupção em 2017. Nos Estados Unidos, passou a se apresentar como desafeto do governo de Xi Jinping e construiu uma audiência entre críticos de Pequim, especialmente em círculos conservadores americanos e entre integrantes da diáspora chinesa.
A projeção cresceu em 2020, quando Guo se aproximou de Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump. A parceria deu visibilidade política ao empresário e ajudou a ampliar o alcance de suas plataformas, usadas também para promover oportunidades de investimento a apoiadores.
O tribunal concluiu, porém, que a retórica política funcionava como fachada. A condenação indica que a Justiça americana viu nas empresas e iniciativas divulgadas por Guo não apenas uma militância contra Pequim, mas um mecanismo estruturado para retirar dinheiro de milhares de pessoas.
Confisco bilionário mira restituição das vítimas
O confisco de US$ 889 milhões é o principal caminho para recuperar parte do dinheiro perdido pelos investidores. A decisão alcança bens e ativos associados à fraude, mas a distribuição dos valores depende das próximas etapas do processo nos Estados Unidos.
A sentença não aponta, de forma pública, vítimas brasileiras entre os investidores lesados. Ainda assim, o caso interessa ao Brasil por envolver um padrão cada vez mais comum em fraudes transnacionais: figuras com forte apelo político, operações digitais e captação de recursos de seguidores espalhados por diferentes países.
Na prática, a decisão de Manhattan reforça que a recuperação de ativos em esquemas desse porte depende de rastreamento internacional de patrimônio, cooperação entre autoridades e identificação individual das vítimas. Por ora, Guo começa a cumprir a pena enquanto a Justiça americana avança sobre os bens confiscados para definir quanto poderá voltar aos investidores.











