Ronaldo Caiado escolheu Gilberto Kassab para ser seu vice na pré-candidatura do PSD à Presidência da República em 2026. O anúncio está marcado para esta quarta-feira (1º), às 11h, na sede nacional do partido, em Brasília.
A decisão coloca o presidente nacional do PSD no centro da campanha do governador de Goiás e confirma a opção por uma chapa pura, formada sem a entrada de outra legenda na vaga de vice. Na prática, Caiado troca a busca imediata por uma aliança formal por uma composição controlada pela direção do próprio partido.
O movimento tem duas leituras dentro da disputa presidencial. De um lado, reforça a unidade interna em torno da candidatura e dá a Kassab, fundador e principal articulador nacional da sigla, papel direto na campanha. De outro, expõe a dificuldade do PSD em atrair parceiros para uma aliança nacional antes de o quadro eleitoral de 2026 ficar mais definido.
PSD concentra a aposta em casa
A presença de Kassab na chapa dá peso partidário à candidatura de Caiado. Como presidente nacional do PSD, ele controla a engrenagem política da legenda, negocia palanques estaduais e tem influência direta sobre diretórios e bancadas. Sua entrada como vice indica que o partido pretende sustentar a pré-candidatura com estrutura própria, sem ceder o posto a uma sigla aliada neste primeiro momento.
A escolha também ajuda a organizar a mensagem política de Caiado. O governador vinha tentando se firmar como nome competitivo no campo da centro-direita, mas encontrou resistência em negociações com outras forças. Em junho, Flávio Bolsonaro descartou a possibilidade de ter Caiado como vice em uma composição da direita, um sinal do impasse que cercava as conversas para 2026.
Com Kassab, o PSD preserva autonomia para definir programa, discurso e estratégia de campanha. A contrapartida é entrar na largada com uma chapa menos ampla do que a tradição das candidaturas presidenciais costuma exigir, sobretudo em uma eleição na qual tempo de televisão, capilaridade regional e alianças estaduais tendem a pesar na construção de viabilidade.
Chapa ainda precisa passar pela convenção
O ato desta quarta tem valor político, mas a candidatura só será formalizada nas etapas legais do calendário eleitoral. O PSD ainda precisa aprovar a chapa em convenção partidária e registrar os nomes no Tribunal Superior Eleitoral dentro do prazo previsto para as eleições de 2026.
Até lá, a composição Caiado-Kassab funciona como sinal ao mercado político: o PSD quer manter a pré-candidatura presidencial de pé, mesmo sem aliança nacional fechada. O próximo teste será transformar a chapa pura em palanques estaduais e evitar que a candidatura fique isolada enquanto outros partidos negociam apoios para a corrida ao Planalto.










