O Brasil abriu 72.960 vagas de trabalho com carteira assinada em maio de 2026, o pior resultado para o mês desde 2020, quando a pandemia atingiu em cheio o mercado formal. O saldo, calculado pela diferença entre contratações e demissões, ficou bem abaixo da expectativa do mercado, que previa cerca de 120 mil novos postos.
Os dados do Novo Caged mostram que o país registrou 2,207 milhões de admissões e 2,134 milhões de desligamentos no mês. Em maio de 2025, o saldo havia sido de 153.108 vagas. A geração líquida de empregos, portanto, caiu 52,3% em um ano.
O número confirma uma perda de ritmo no mercado formal depois de um início de ano mais forte. Em março, o saldo havia ficado perto de 229 mil vagas. Em abril, recuou para cerca de 79 mil. Maio manteve o movimento de desaceleração e frustrou a leitura de que a queda do mês anterior poderia ter sido apenas pontual.
Desaceleração pesa sobre a leitura da economia
O Caged mede apenas o emprego formal, mas funciona como um termômetro importante da atividade econômica. Quando as empresas contratam menos, o sinal costuma aparecer também na renda, no consumo das famílias e na disposição do setor produtivo de ampliar produção e serviços.
No acumulado de janeiro a maio, o país soma 767,3 mil vagas com carteira assinada. O resultado ainda é positivo, mas a sequência recente indica que a criação de postos perdeu força justamente no momento em que investidores e governo acompanham sinais de esfriamento da economia.
Novos contratados entram ganhando menos
Outro ponto sensível está nos salários. A remuneração média de admissão ficou em R$ 2.384,10, enquanto a dos trabalhadores desligados foi de R$ 2.474,14. A diferença, de R$ 90,04, sugere que parte das novas vagas está sendo aberta com salários menores do que os pagos a quem deixou o emprego.
Esse movimento, se persistir, pode limitar o avanço da renda do trabalhador formal. Para as famílias, o impacto aparece no orçamento mensal; para a economia, pode reduzir o fôlego do consumo, um dos motores da atividade.
Banco Central observa emprego antes de decidir juros
A perda de dinamismo do emprego formal também entra no radar do Banco Central. Um mercado de trabalho mais fraco tende a aliviar pressões de demanda e pode influenciar a avaliação sobre os próximos passos da taxa básica de juros. A leitura, porém, depende da combinação com inflação, crédito, renda e outros indicadores de atividade.
O dado de maio não aponta, sozinho, uma virada estrutural no mercado de trabalho. Mas reduz a margem para leituras otimistas sobre a criação de empregos com carteira e torna os próximos resultados do Caged decisivos para medir se a desaceleração é temporária ou se o mercado formal entrou em trajetória mais fraca.










